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Produção da indústria paulista cai 15% no 1º trimestre do ano

Foi a maior queda desde 2003, segundo pesquisa da Fiesp/Ciesp. Resultado indica que nível de atividade pré-crise ainda não foi recuperado

O desempenho do Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista em março ficou novamente aquém do esperado pela Fiesp e o Ciesp, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (28).

A alta foi de 0,5% na passagem mensal, em termos ajustados, mas o primeiro trimestre do ano computou queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Este resultado mostra o quão excepcional é o ano de 2009, diante dos efeitos da crise. Há seis anos não ocorre uma queda tão expressiva”, avaliou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

Sem ajuste sazonal, a indústria cresceu 10,4% – resultado normal para meses de março, na série histórica da pesquisa, já que fevereiro apresenta um menor número de dias úteis. Houve recuo de 13,1% em relação a março de 2008, e de 1,7% no acumulado em 12 meses.

O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 76,7%, com ajuste sazonal, e atingiu o menor nível desde julho de 2003 (75,5%). Entre as variáveis do mês de março, destaque para as horas trabalhadas na produção: alta de 5,2%, mas recuo de 9,1% em comparação a março do ano passado. No total de vendas nominais, elevação de 16,9%.


Patamar mais baixo

Segundo Paulo Francini, os resultados do primeiro trimestre do ano indicam que a queda sofrida no final de 2008 foi interrompida, mas o nível de atividade pré-crise ainda não foi recuperado.

“Janeiro, fevereiro e março estão em semelhante patamar, e indicam estabilidade comparativamente à trajetória de queda dos meses anteriores”, constatou o diretor. “Deixar de cair não é ruim. Porém, não existe impulso de recuperação ao patamar de antes”, prosseguiu.


A crise nos setores

Para Francini, a indústria demonstrou uma capacidade de recuperação muito frágil nos três primeiros meses do ano, e ainda está em busca de um novo patamar a partir do qual terá que decolar.

Segundo a pesquisa, 40% da atividade industrial está concentrada em sete setores, que representaram um recuo de 23% no primeiro trimestre de 2009 e tiveram participação de 62,3% na queda acumulada no ano. São eles:

  • Artigos de borracha e plástico;
  • Produtos de minerais não-metálicos;
  • Metalurgia básica;
  • Produtos metálicos;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos;
  • Veículos automotores.“Estes foram os setores que mais sofreram os impactos de redução diante da crise.

Enquanto não reativarem suas atividades, a indústria não vai decolar”, disse Francini. “A atividade industrial foi fortemente atingida pela crise e até agora não vemos sinais evidentes de retomada”, acrescentou.


Movimento

O desempenho de Metalurgia Básica e Máquinas e Equipamentos anda abaixo do total da indústria – quedas de 3,9% e 1% em março, respectivamente, com ajuste sazonal.

Metalurgia, setor concentrado nas siderúrgicas, caiu 30,8% no primeiro trimestre, e 32,2% em relação a março de 2008. O segmento de Máquinas e Equipamentos, ancorado pelos investimentos, caiu respectivamente 22,1% e 21,7%, na mesma base de comparação.

Já o setor de Produtos Têxteis indica bom comportamento, acima da média do INA. A alta foi de 13,7% no mês de março e de 2,9% na série dessazonalizada. A queda diante do primeiro trimestre de 2008 também é menor (-6,9%) do que a registrada no total da indústria.

“O aumento das vendas reais no setor em março [7,3%] e a trajetória de retomada devem-se, principalmente, à queda de 23% no volume das importações, ocorrida devido à variação cambial no período e à escassez de crédito, que dificulta as operações de comércio exterior”, explicou Paulo Francini.


Sensor

O indicador antecedente da Fiesp registrou 51,4 pontos na segunda quinzena de abril, resultado que há algum tempo não alcançava. “O Sensor nos deu uma ligeira indicação de crescimento, fortemente amparado por mercado [57,9] e vendas [54,4]”, informou o diretor do Depecon.

O estoque ainda se mostra excessivo na cadeia produtiva, porém, em menor dimensão (39,8). Houve retomada, ainda, das perspectivas para emprego (51) e investimentos (53,8). “O resultado mostra que paramos de mergulhar na crise. Uma ligeira melhora em relação ao patamar de antes”, reforçou Francini.