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“Precisamos tropicalizar fatores de emissão e modelagens de emissão de CO2”, alerta chefe-geral da Embrapa

Em reunião do Cosag, Marcelo Morandi destacou ainda a urgência de o Brasil investir em ciência para manter credibilidade no debate ambiental internacional 

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em novo encontro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, realizado nesta segunda-feira (4/7), o chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Marcelo Morandi, advertiu que é imprescindível que o Brasil tropicalize os fatores e as modelagens de emissão de gases estufa para garantir credibilidade no debate global sobre a pauta.  

Ainda segundo o especialista, é necessário investir em ciência e tecnologia, de maneira que as métricas e os modelos regionalizados tenham embasamento científico verificado, e possam colocar o Brasil em um patamar onde o Brasil possa dialogar de igual pra igual com outros atores mundiais. 

“Estamos no caminho certo, mas precisamos intensificar os processos em relação às métricas, adequar as metodologias para a complexidade brasileira, mas nos assegurar de que elas dialoguem com o que está sendo construído internacionalmente”, afirmou Marcelo Morandi. 

Angelo Costa Gurgel, professor do Mestrado Profissional em Agronegócio da EESP-FGV e Research Scientist no MIT Joint Program on the Science and Policy of Global Change, também alertou para o perigo do uso de coeficientes não adequados à realidade brasileira e para o risco da proliferação de padrões, protocolos e certificações de baixa qualidade.  

“As modelagens de emissões de CO2 e outros gases do efeito estufa dependem de coeficientes cientificamente mensurados e validados, por isso, é importante que os pesquisadores brasileiros publiquem seus trabalhos em veículos científicos internacionais”, acrescentou Gurgel. 

Segundo ele, a política climática europeia ainda não prevê barreiras diretas ao agronegócio, mas o comércio internacional será cada vez mais influenciado por critérios estabelecidos pelos europeus, também em outros segmentos da economia. O bloco prevê, por exemplo, a proibição da venda de automóveis leves movidos a motores de combustão a partir de 2035, e passará a exigir o uso de biocombustíveis para os transportes de carga nos próximos anos. 

Em um cenário mais macro, o pesquisador prevê a consolidação da bioenergia como a fonte energética financeiramente mais acessível e uma tendência à produção de biomassa sob práticas de nature-based solutions, isto é, técnicas que privilegiam a proteção, o gerenciamento e a restauração dos ecossistemas naturais de forma sustentável. 

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Fotos: Karim Kahn/Fiesp


A implantação do Código Florestal Brasileiro 

Outra pauta cara para o Brasil e colocada em discussão na reunião desta manhã foi a finalização da implementação do Código Florestal Brasileiro nos âmbitos nacional e estadual. João Francisco Adrien Fernandes, conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, apresentou breve retrospectiva dos instrumentos legais que abriram caminho para a implementação da Lei 12.651/2012, ou o novo Código Florestal. O documento estabelece normas para a proteção da vegetação nativa, a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais, o controle e a prevenção dos incêndios florestais. 

Fernandes deu destaque para a evolução do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um sistema de registro eletrônico nacional que reúne informações das propriedades e posses rurais e compõem uma base de dados para o controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento. De acordo com dados apresentados pelo secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Francisco Matturro, o número de cadastros ativos inscritos no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental (SICAR) totalizam 6.497.671. Destes, 400.671 (cerca de 6%) são cadastros referentes ao estado de São Paulo. 

O maior desafio que tem se colocado é a verificação da análise por parte dos produtores. Apenas 3,2% de todos os cadastros nacionais passaram por verificação, o que preocupa a Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. 

“Precisamos difundir informações corretas sobre as análises do CAR e as próximas etapas da regularização ambiental”, disse Matturro. “O apoio das entidades representativas do agro no processo de esclarecimento do produtor também é importante”, acrescentou. 

Também participaram da reunião o presidente do Cosag, Jacyr Costa, e o deputado estadual por São Paulo e ex- secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo Itamar Borges.