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‘Poucos realmente inovam’, afirma professor do Insper em painel do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria

Marcelo Nakagawa e especialistas ressaltaram a necessidade de valorizar a inovação dentro das empresas durante evento promovido pela Fiesp nesta quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, em São Paulo

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. Foto: Renan Felix/Fiesp

O painel “Inove e não dependa do desconto para vender”, parte da agenda do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, em São Paulo, contou com a participação de Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendimento do Insper.

O Congresso é uma iniciativa do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Segundo Nakagawa, a ideia da inovação está sendo mais debatida do que nunca. “Empresas só evoluem através da inovação. Hoje ela é fundamental, devido à alta competitividade e os custos altos”.

Para ele, a inovação deve ser vista como uma vantagem competitiva. Entretanto, segundo Nakagawa, poucas empresas realmente são inovadoras.  “Existe uma confusão quando falamos de inovação”, explica.

O que é inovação?

“Muitos falam de inovação. Mas, de verdade, poucas empresas são inovadoras”.  A razão principal para isso, segundo Nakagawa, é a falta de disciplina. “O problema é saber o que de fato é inovação”.

Nakagawa explica que, para uma corporação, é preciso “haver inovação na estratégia da empresa, inserida em um contexto corporativo”. “Inovação na captação de recursos, dentro de um contexto nacional, e na inovação jurídica, no contexto legal”, explicou.

De acordo com o acadêmico, o principal aspecto da inovação é que ela tem que se tornar prática, ser implantada. Nesse sentido, a inovação transformacional, por exemplo, é a criação de um produto que não existia e cria um mercado totalmente novo.

“Precisamos saber por que queremos inovar. Qual o interesse real do esforço? Tem que ser mensurado, imaginado dentro de um processo maior”, completou.

Melhorias de processos e produtos

Nakagawa chamou a atenção para uma importante característica da inovação: a cópia. Para ele, qualquer processo inovador, passou, em algum momento, pela observação de produtos ou serviços já entregues.

“Alguns afirmam que todas as inovações foram copiadas, curiosamente. As empresas não têm que ver a cópia como algo negativo. Isso faz parte do processo evolutivo. Mas não copie de pessoas ou empresas próximas”, alertou.

Buscar situações distantes, disse, pode ser benéfico para as corporações. “A Apple fez isso durante muito tempo e hoje tem uma capacidade criativa imensa”, opinou.

Caminho para a superação de obstáculos

O encontro foi mediado por Carlos Bittencourt, diretor do Dempi na Fiesp.

“Existem formas de sobreviver diante da alta tributação e da dificuldade de gestão. Precisamos de inovação para superar todas essas barreiras”, afirmou. “Pensar na sobrevivência de uma empresa é pensar em inovação e buscar a excelência”, disse.

Inova Senai

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Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Foto: Renan Felix/Fiesp

Participou também do painel Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Ele falou sobre os movimentos voltados para inovação dentro da instituição, ressaltando o papel do programa Inova Senai, de estímulo a projetos inovadores dentro das escolas  e centros da rede.

“O Inova Senai promove o pensamento da inovação. Para entrar no campo da inovação, precisamos saber gerir, dando atenção ao aporte de recursos e à propriedade intelectual”, afirmou Terra.

No Senai-SP, explicou ele, “olha-se para o mundo e procura-se entender como a inovação está sendo organizada, sabendo que é importante trabalhar a formação de um empreendedor tecnológico”.

“Além disso, nossa infraestrutura foi modificada para apoiar o processo de inovação junto às indústrias e para investirmos em pessoas que se dedicam exclusivamente ao nosso modelamento inovador”, concluiu.

Marcos Cintra, sub-secretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, e Eugenia Regina de Melo, superintendente nacional de Micro e Pequeno Empreendedorismo da Caixa Econômica Federal, também participaram do painel.

Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), fechou o debate. “Para competitividade, precisa de produtividade e isso passa pela ação dos inovadores e daqueles que pensam na inovação e no aprimoramento de produtos e serviços”, disse.