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Pós-verdade pode gerar desinformação e é preciso ser ético, na análise de especialista

No Consea, o convidado José Renato Nalini enfatizou a ética como pilar para combater a desinformação gerada pela pós-verdade, um sintoma na atual sociedade que conta com mecanismos imediatos de comunicação

Aline Porcina, Agência Indusnet Fiesp 

Discutir desafios e soluções para questões fundamentais relacionadas ao desenvolvimento do Brasil é um dos objetivos do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, que mensalmente reúne seus membros na sede da entidade.

No encontro desta segunda-feira (18/3), que teve como tema “A Ética na pós-verdade”, o conselheiro José Renato Nalini falou sobre a ética e as relações humanas em campos como profissional, pessoal, político, educacional e tecnológico. Nalini é presidente e imortal da Academia Paulista de Letras, membro da Academia Brasileira de Educação e atual reitor da UniRegistral, além de ex-secretário de Educação e ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

De acordo com o conselheiro, a pós-verdade valoriza a versão em detrimento dos fatos. Ela não equivale à mentira, mas é um sintoma, uma causa ou uma consequência que pode gerar desinformação, como as famosas fakenews: “Todas as sociedades bem-sucedidas dependem de um grau relativamente alto de honestidade para que possam preservar a ordem, defender a lei, punir os malfeitores e gerar prosperidade, mas isso não pode acontecer na era da desconfiança”, afirmou Nalini.

O conselheiro também defendeu que, em uma época com um grande fluxo de informações, muito por conta das redes sociais e da Inteligência Artificial, é necessário filtrar o conteúdo para identificar o que representa conhecimento e sabedoria: “Nunca tivemos uma possibilidade de comunicação imediata como temos agora. O Brasil está necessitando não apenas de colocar ética no discurso, mas de vivenciar essa ciência do comportamento moral do homem em sociedade tão facilmente utilizada na retórica e de tão difícil observância na vida cotidiana”.

A escolha do tema “A Ética na pós-verdade” faz parte da série Repensando o Brasil, que foi criada há três anos pelo Consea e visa discutir a cada reunião problemas enfrentados pelo país. Na série já foram abordados mais de 30 grandes temas, entre eles educação, burocracia e poderes de Estado, como explica o presidente do conselho, Ruy Martins Altenfelder: “Nossas discussões posteriormente são levadas à presidência da Fiesp para que sirvam de matéria-prima na elaboração de propostas em prol do desenvolvimento sustentável”.

As próximas reuniões devem tratar de Reforma da Previdência, Reforma Política e partidos políticos.

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José Roberto Nalini apresentou aos membros do Consea um tema atual: a ética versus a pós-verdade. Foto: Karim Kahn/Fiesp