imagem google

Porque somos o que somos: Consep debate as raízes e a constituição da nação brasileira

Jornalista Paulo Saab avalia trajetória do país e aponta educação como essencial para o desenvolvimento esperado

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Há um desconhecimento sobre a história do país e o que é efetivamente o Brasil, incluindo seus valores e símbolos nacionais. O alerta foi feito por Paulo Saab, jornalista, bacharel em Direito, escritor, professor universitário e diretor do Instituto da Cidadania Brasil, em encontro recente do Conselho Superior de Estudos da Política (Consep) da Fiesp, dia 28/4.

Para Carlos Trombini, que preside o Consep, o país precisa de um projeto de progresso e desenvolvimento, superando seus problemas como nação, tendo como pilares o respeito e o diálogo e não a polarização. “Nosso trabalho é buscar o diálogo que o país precisa”, afirmou, por isso convidou o jornalista para debater o tema proposto “Porque somos o que somos”.

Saab tratou inicialmente do tripé do sistema republicano brasileiro em seus três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, e fez uma releitura desde o seu ‘descobrimento’. “O território tem 521 anos de existência [em função do descobrimento], mas o Estado brasileiro foi fundado de cima para baixo, em 1808, quando Dom João VI, a família real e sua corte fugiram de Napoleão Bonaparte que estava às portas de Portugal. Assim, criou-se o Estado brasileiro, e não uma nação. Dom João precisava de uma estrutura para governar, uma dotação de rei, e é assim até hoje, tudo gira em torno do poder”, avaliou Saab.

O Brasil nasceu dessa pirâmide invertida, a qual se juntou uma carta constitucional, sendo que o Estado tutela o povo e não o povo tutela o Estado, como seria de se esperar. Ao tratar da Constituição de 1988 – chamada de cidadã por Ulysses Guimarães, que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte e foi a primeira elaborada pós regime militar – frisou que ela já acumula o impacto de 105 emendas e fez uma comparação com a Constituição dos Estados Unidos, mais sólida e que sofreu menos ajustes.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1620694580

Paulo Saab, jornalista, fez uma releitura do Brasil, como nação, e a perda de referências, na atualidade










A oligarquia chega ao Poder Legislativo, ao Judiciário, as famílias se sucedem na Magistratura e no Congresso Nacional, de acordo com o expositor, em um círculo vicioso dependente do poder central e “não temos lá nossos representantes”, afirmou, realizando uma avaliação do corporativismo da Constituição.

E a nação brasileira? Ao comparar a juventude do Brasil com a logenvidade de Paris – fundada pela tribo celta dos Parísios, há mais de 2.000 anos – estamos ainda parindo uma nação, segundo a metáfora utilizada por Saab, em um processo de construção que envolve um caldo mestiço de culturas, índios, negros e diversos povos imigrantes, uma miscigenação de povos e etnias.

“O Brasil é um país em processo de miscigenação e alguns fatores ainda estão em fase de formação”, pontuou, ressaltando hábitos culturais e culinários, que convergem numa cidade cosmopolita como São Paulo, por exemplo. As novas gerações estão sendo criadas nesse caldo cultural que está sendo constituído.

Outros aspectos debatidos pelo convidado do Consep diz respeito à forte polarização de opiniões que tomou conta do Brasil nos últimos 15 anos e a inversão de valores na pirâmide brasileira que precisa de reposicionamento, como a valoração pelo povo brasileiro dos seus símbolos nacionais e conceitos que se tratavam no passado em disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira (OSPB).

“Não temos apego aos símbolos nacionais e à terra”, afirmou Saab, e contextualizou o fato de nos Estados Unidos a população hastear bandeiras na porta de suas casas, porque perderam seus filhos em guerras e honram a memória e sua nação, e os mesmos exemplos existiam na Europa. “Nós não temos muito isso aqui”, analisou, referindo-se à nação que ainda não conta com valores comuns consistentes.

Mas qual a saída para a prosperidade e consolidação do Brasil como nação? Nesse aspecto, a boa educação é essencial, evitando-se a alienação, o analfabetismo funcional, o não discernimento em um processo eleitoral. “Não interessa ao poder constituído dar educação em massa para o povo porque, do contrário, se daria outro rumo ao voto. Todo mundo quer o trono para fazer uso de seus interesses. Isso só muda com processo maciço de educação”, apontou Saab, em sua conclusão.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1620694580

Para Carlos Trombini, o Brasil precisa superar seus problemas, como nação