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Políticas públicas acertadas e legislação revista podem auxiliar no combate à poluição nas grandes cidades

Qualidade do ar e saúde pública foram temas centrais do Conselho Superior do Meio Ambiente. Poluição do ar mata 15 mil paulistanos por ano

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A poluição do ar está entre as causas que mais matam pessoas no mundo, contabilizando 7,5 milhões de pessoas por ano. Um dos vilões é o trânsito intenso registrado nas cidades. O ar e a saúde pública foram temas centrais da reunião do Conselho Superior do Meio Ambiente (Cosema), que aconteceu nesta terça-feira (23/4), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O tempo de permanência das pessoas no trânsito aumentou. Quem mora mais longe é quem mais se expõe à poluição do ar. Em São Paulo, a poluição do ar mata 15 mil pessoas por ano”, disse Paulo Saldiva, professor titular de patologia e diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), destacando ainda que, por ficar exposto à poluição, o paulistano fuma indiretamente, em média, de quatro a cinco cigarros por dia.

No Brasil, o total de frota circulante é de 45 milhões de veículos, que apesar de ter idade média de vida de 10 anos, seguem em circulação pelas cidades, impactando diretamente a vida das pessoas.

Saldiva aponta que a redução da poluição precisa ser vista como estratégia de negócio. “É difícil valorar o benefício ambiental já que ar, água e solo não são commodities. Mas é possível valorar as consequências desse feito”, conta.

Para Paulo Afonso de André, pesquisador nas áreas ambiental e de saúde da USP, a poluição é parte inerente à atividade humana e até 2030 estima-se que 81% da população deverá morar nas cidades. “A cidade é o local onde terá poluição massiva. As folhas das árvores são boas exemplificadoras de medição dessa poluição”, disse, referindo-se às folhas que ficam com colorações diferentes por permanecerem em ambiente poluído.

Diante desse forte impacto sobre a vida das pessoas, Paulo Afonso defende que “as políticas públicas precisam ser bem discutidas com a sociedade. Precisamos ter rapidez. Nossa legislação está desatualizada, mas ela existe”, afirma.

A inspeção veicular, que já esteve em vigor em São Paulo, foi bastante defendida por Paulo Afonso. “A inspeção veicular ajuda a reduzir o impacto na saúde. Se toda frota veicular da região metropolitana fosse inspecionada, seriam evitadas mais de mil mortes em um ano”, avalia o especialista.

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Paulo Salvida, prof. da USP, participa de debate sobre qualidade do ar e saúde pública, no Cosema da Fiesp. Foto: Karim Kahn/Fiesp