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PIB do agronegócio paulista cresce 7,2% em 2016, estimam Fiesp e USP

Atividade dentro da porteira impulsiona resultado, com projeção de alta de 19%

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O PIB do agronegócio do Estado de São Paulo deve fechar 2016 em R$ 277 bilhões, crescimento de 7,2% no ano. A projeção é do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que considera os dados disponíveis até outubro.

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, destaca a importância do bom desempenho do agronegócio paulista. “Depois de dois anos de retração da economia brasileira, os bons ventos do campo serão importantes para empurrar nossa economia rumo à retomada do crescimento e criação de empregos.”

Skaf explica que o crescimento estimado de 7,2% para o PIB do agronegócio de São Paulo em 2016 “é resultado de uma combinação muito positiva de fatores, como o bom desempenho dos setores de açúcar e álcool e da laranja, atividades em que o Estado é líder na produção, aliado à recuperação da confiança do produtor a partir do segundo trimestre do ano passado, como consequência do novo cenário político”.

“Confiante no seu negócio e mais seguro em relação à economia brasileira, o produtor paulista investiu mais na produção, gerando benefícios para as indústrias e serviços ligados à atividade”, afirma o presidente da Fiesp e do Ciesp.

O PIB do agronegócio é calculado a partir da soma do valor agregado pelas “indústrias antes da porteira da fazenda” ou de insumos agropecuários, com participação de 5%; pela atividade “dentro da porteira da fazenda” ou agropecuária, com 11%; pelas indústrias “depois da porteira da fazenda”, preponderantemente as de alimentos, com 41%, e pelos serviços diretamente ligados ao agronegócio, com 43%.

A atividade primária, “dentro da porteira da fazenda”, impulsionou o resultado agregado. Apesar de deter apenas 11% de participação na formação do PIB, apresentou a mais expressiva alta, de 19%, em relação a 2015. Nesse caso, os destaques determinantes foram as culturas da cana-de-açúcar e da laranja, em que o Estado representa 57% e 73%, respectivamente, de todo o volume produzido no Brasil.

“Essas duas atividades foram beneficiadas por uma conjuntura global de retração da oferta, resultando em elevação dos preços ao produtor, em um cenário que também favoreceu o setor de insumos agropecuários”, aponta Antônio Carlos Costa, gerente do Deagro.

As culturas de café, soja, milho, banana, batata, amendoim, feijão e uva tiveram um bom ano e, da mesma forma, contribuíram com o forte crescimento do setor primário.

Em relação ao elo “antes da porteira da fazenda”, o crescimento esperado é de 3,1%, com destaque positivo para os insumos da pecuária (8,5%), influenciados pela indústria de nutrição animal, que deve apresentar boa evolução no faturamento real. Já os insumos agrícolas ficaram praticamente estagnados, pois se por um lado algumas indústrias apresentaram bom desempenho, como a de fertilizantes, por outro, as empresas de máquinas e equipamentos tiveram nova retração em 2016.

“De qualquer forma, é bom lembrar que a partir do segundo semestre de 2016, com a retomada da confiança do produtor agrícola, o cenário negativo para essa indústria foi amenizado, o que gera uma expectativa positiva para 2017. Além disso, a queda mais acentuada da taxa de juros pode potencializar a recuperação esperada para o segmento”, destaca Costa.

Quanto às indústrias “depois da porteira da fazenda”, a estimativa é de um avanço de 5,7% sobre 2015. Foram observados crescimentos nas indústrias de café, óleo de soja, etanol e açúcar, sendo esse último o grande destaque.

O forte desequilíbrio no quadro de suprimentos global de açúcar, com quebras de safras ocorridas em 2015 em locais como Índia, União Europeia e Tailândia, contribuiu para o decréscimo da disponibilidade da commodity no mercado mundial. No Brasil, vários fatores fizeram com que a safra anterior fosse mais alcooleira, fato que, combinado ao excesso de umidade na colheita, contribuiu para que o preço atingisse patamares elevados, observados pela última vez em meados de 2012. Na contramão, os setores de celulose, têxtil e vestuário, e produtos e móveis de madeira pesaram negativamente para o resultado.

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