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Perspectivas econômicas para 2020 são apresentadas pela Fiesp: estimativa de alta do PIB

Dados de levantamento da indústria foram debatidos com representantes da academia e do comércio

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A primeira reunião do ano do Conselho Superior da Micro, Pequena e Média Indústria (Compi) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) contou com a presença de Paulo Skaf, presidente da entidade, que disse acreditar na retomada econômica: “Nossa estimativa para o PIB este ano é de alta de 2,5% a 3%”.

A Fiesp apresentou suas perspectivas econômicas para 2020 baseadas em levantamento elaborado pelo seu Departamento de Competitividade e Economia. Entre os resultados, o fato de estarem sendo criadas condições para que a economia brasileira ganhe ritmo, com as reformas implementadas, como a Trabalhista e a da Previdência, além do estabelecimento do teto dos gastos. “O avanço das reformas fiscais afasta do cenário econômico o risco de insolvência da dívida pública, contribuindo para a redução da incerteza da economia e a consolidação do cenário de juros estruturalmente mais baixo no país”, aponta o documento, que estima também a manutenção da taxa básica de juros (Selic) nos patamares históricos mais baixos.

Além disso, os dados apresentados mostram ainda que, recentemente, a curva longa de juros começou a declinar e passou a indicar a viabilização dos financiamentos dos projetos em infraestrutura com recursos privados. “A inflação esperada está em linha com a meta de inflação. Mais um fator que contribui para manter os juros estruturalmente mais baixos”, de acordo com o levantamento.

Foram apresentadas também as estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que projeta um PIB positivo entre 3% e 3,5% para 2020. “No entanto, o consumidor ainda está muito cauteloso e endividado. Mas o que me preocupa mais é a diferença de desempenho entre as grandes redes varejistas e as pequenas. As grandes estão em fase de expansão, com implantação de novas tecnologias, enquanto as pequenas encontram muitas dificuldades, principalmente no acesso ao crédito por não terem muitas garantias a oferecer”, avaliou Marcel Domingos Solimeo, economista da ACSP.

Na avaliação de Lauro Emílio Gonzales Farias, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a projeção é de  expansão do PIB próximo a 2%. Quanto ao volume de crédito, no Brasil, encontra-se em 48%, nos EUA alcança 192%, no Japão, 168%, e na China, 156%, comparou o docente.

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o PIB deve ficar entre 2% a 2,5% em 2020, tendo como base o cenário de juros baixos e o crédito em expansão para a pessoa física. “Estamos saindo de um período de erros gravíssimos de política econômica, mas que não são corrigidas no curto prazo”, concluiu Farias.

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Os dados apresentados mostram que a curva longa de juros começou a declinar e passou a indicar a viabilização dos financiamentos dos projetos em infraestrutura com recursos privados. Foto: Karim Khan/Fiesp