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Perda de competitividade, segundo Rubens Barbosa, tira efeito positivo da desvalorização cambial sobre exportações

Segundo embaixador, medidas do governo de apoio à exportação estão na direção correta, mas são insuficientes

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Embora positiva, a desvalorização cambial ocorrida nos últimos meses não conseguiu alcançar as exportações por conta de um problema ainda mais sério que o câmbio: a perda de competitividade da indústria brasileira.

A avaliação é do embaixador Rubens Barbosa, presidente Conselho Superior de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Embaixador Rubens Barbosa: falta agressividade por parte do governo e do setor produtivo para formar uma estratégia de comércio exterior. Foto: Everton Amaro.

Para devolver fôlego ao setor exportador da indústria brasileira, o governo tem administrado o câmbio para desvalorizar o real frente ao dólar – o mercado tem operado em um patamar considerado teto informal ao redor de R$2,10.

“A desvalorização cambial, que chegou a 10% esse ano, não teve o efeito concreto no aumento das exportações por causa da perda da competitividade dos produtos brasileiros”, analisou Barbosa nesta sexta-feira (30/11), citando a situação internacional como outro fator de queda para as vendas externas brasileiras, porém com menor força do que a falta de competitividade.

“A perda da competitividade é um problema não do comércio exterior. É um problema sistêmico da economia brasileira. Foram criados vários programas de apoio às exportações, o último deles foi o Brasil Maior. Essas medidas são pontuais – e estão no caminho certo – mas são insuficientes. E o comportamento das exportações brasileiras demonstra isso”, avaliou o embaixador.

No começo de novembro, a Fiesp divulgou que a participação das exportações na produção total da indústria chegou a 20,3%  no terceiro trimestre de 2012, um leve aumento com relação ao verificado no mesmo período de 2011, quando 20,2% da produção nacional foi exportado.

Na outra mão, a participação de mercadorias importadas no consumo da indústria brasileira chegou a 21,2% no terceiro trimestre, um pouco abaixo dos 22,3% registrado no mesmo período do ano anterior.

Apesar da ligeira queda, a participação de importados no país continua acima da média história do indicador Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, 19,8%.

Agressividade

Na avaliação do embaixador Rubens Barbosa, falta agressividade por parte do governo e por parte do próprio setor produtivo para formar uma estratégia de comércio exterior.

“Há uma falta de agressividade tanto de politica governamentais quanto dos próprios empresários para os seus grandes mercados. Eu procurei o Itamaraty recentemente para saber se havia algum estudo sobre o mercado potencial da China e pelo que me disseram não havia nenhum estudo, mas eu fiquei satisfeito porque a China fez um estudo e mandou uma lista com 421 produtos que, segundo foi noticiado, o Brasil teria grande perspectiva”, disse

“Já é um avanço. A China está ajudando na formulação de política comercial brasileira”, complementou o embaixador.