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Pequenas ações promovem a igualdade. Tema para o Festival do Empreendedorismo que também valorizou os 50+

A diversidade não se refere apenas a gênero, cor ou origem, mas também à faixa etária

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Para tratar do tema O futuro da relação gestão, meio ambiente e sociedade, o Festival de Empreendedorismo Fiesp: Diversidade e Inclusão, realizado nos dias 10 e 11 de agosto, ouviu o prof. Felipe Bismarchi, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras. Em seu entendimento, economia, meio ambiente e sociedade são partes iguais, que atuam juntas e com os mesmos pesos. 

 “A economia é um subsistema da sociedade, um subsistema do meio ambiente, fazendo parte de algo muito maior. E a natureza dá os limites da economia em um planeta finito, limites que precisam ser conhecidos e respeitados. Não se pode avançar sobre eles sem sentir os seus efeitos”, contextualizou.  

Cristiano Prado, líder da unidade de Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo do PNUD Brasil, entende que micro e pequenas empresas podem contribuir para agenda 2030. “Qualquer negócio pode, além do lucro, ter impacto social. Se você é dono de um pequeno negócio, pode recrutar, treinar e empregar pessoas que estão em comunidades carentes. Ou pagar salário justo e igual a homens e mulheres”, disse Prado. 

Outras simples ações citadas incluem ambiente de trabalho com instalações sanitárias adequadas, uso consciente da água, adoção de sistemas de energia limpa e oportunidades de aprendizagem e fomento à cultura para colaboradores e seus familiares. 

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A importância entre a conexão e a sociedade foi tema de bate-papo do Festival de Empreendedorismo, além das barreiras e estereótipos que precisam ser derrubados. Foto: Karim Kahn/Fiesp

É preciso derrubar estereótipos e barreiras, inclusive o de idade

“O pilar etário da diversidade é o último a ser trabalhado”, afirmou a psicóloga Fran Winandy, responsável pelo blog Etarismo. Ela exemplificou com situações em que a mentalidade de preconceito apresenta estereótipos e barreiras que precisam ser derrubados. “Por que alguém não contrata uma pessoa mais velha, achando que ela não consegue lidar com tecnologia? A pandemia mostrou que esse argumento caiu por terra”, apontou. 

 Para a pesquisadora, a inclusão de pessoas mais velhas no mercado de trabalho é vantajosa sob diversos aspectos. “Por estarem se cuidando mais, elas têm saúde estável, são pessoas com mais controle emocional diante de situações de estresse, sabem lidar com as diferenças e são extremamente dedicadas e comprometidas”, disse Winandy. 

Com 26% da população com mais de 50 anos e estimativa do IBGE de que em 2050 um terço da população brasileira terá mais de 60 anos, passou da hora de rever conceitos e olhar com atenção para essa faixa etária, segundo o professor Mórris Litvak, criador da plataforma Maturi, que conecta empresas a profissionais acima dos 50 anos.  

 “As empresas que pensam inovar por meio apenas da contratação de jovens estão enganadas. Estudos internacionais mostram que grupos compostos por diferentes faixas etárias são altamente eficientes. A diversidade não é somente de gênero, cor ou origem, mas também etária. Aliás, ter colaboradores nessa faixa ajuda a entender como pensa esse consumidor”, concluiu Mórris, acrescentando que o chamado “Mercado Prateado” consome mais de R$ 2 trilhões por ano.