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Paulo Mendes da Rocha: ‘O prédio da Fiesp é uma figura destacada, fruto da engenhosidade do Rino Levi’

Vencedor do mais importante prêmio de sua área, o Pritzker, em 2006, arquiteto foi o responsável pela reforma no térreo que deu a cara atual da sede da entidade

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

No final da década de 1990, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha recebeu uma proposta de trabalho tentadora para qualquer profissional de sua área: reformar a parte mais baixa da sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Antes de dizer sim, fez questão de procurar o escritório Rino Levi Associados, onde apresentou a sua proposta de intervenção. “Fui até lá e falei com o arquiteto Roberto Cerqueira César (1917-2003) [um dos autores do projeto original ao lado de Luiz Roberto Carvalho Franco (1926-2001)], que gostou das minhas ideias”, conta Mendes da Rocha. “Tive carta branca para trabalhar”.

Área do piso inferior do prédio da Fiesp: integração realçada pela reforma. Foto: Kênia Hernandes/Fiesp

Área do piso inferior do prédio da Fiesp: integração realçada pela reforma. Foto: Kênia Hernandes/Fiesp


Foi assim que, em 1998, depois de um gesto de gentileza e respeito à concepção arquitetônica original, a parte inferior da construção ganhou a cara que tem hoje, aproveitando grandes apoios de concreto para estruturar uma galeria de artes (onde hoje funciona o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso), a recepção e o acesso aos elevadores na portaria principal. Dessa forma, a laje do pavimento superior ao passeio recebeu um corte, com o recuo da laje inferior. A medida ampliou o passeio público, tornando o acesso à construção mais generoso e integrado à calçada da Paulista.

“O prédio da Fiesp é uma figura destacada, fruto da engenhosidade do [escritório] Rino Levi”, diz o arquiteto. “Tem uma fachada inesperada e interessante junto a uma avenida importantíssima em São Paulo”, explica.

O arquiteto explica que levou em consideração fatores como o “maior desfrute do plano público” ao conduzir a reforma do prédio. “São Paulo é um centro industrial por excelência e a Fiesp queria um teatro e um centro de exposições”, diz. “Achei muito oportuno, uma boa proposta de convivência entre o privado e o público”.

Para facilitar a circulação

Outro ponto importante da intervenção foi a interligação entre a Paulista e a Alameda Santos pelo subsolo da Fiesp. “Abrimos a rampa que hoje faz essa passagem”, explica Mendes da Rocha. “Isso facilitou a circulação e também a entrega de documentos e correspondências, além do acesso dos industriais ao prédio pelo subsolo, numa disposição nova”.

Mendes da Rocha: reforma ampliou o passeio público na frente do prédio. Foto: Lito Mendes da Rocha

Mendes da Rocha: reforma ampliou o passeio público na frente do prédio. Foto: Lito Mendes da Rocha

Orgulhoso do trabalho que fez numa das construções mais famosas da cidade, Mendes da Rocha conta que foram feitas “demolições curiosas” na obra. “Fizemos muitos cortes com máquinas, separamos o térreo do resto do edifício”, diz.

Para o arquiteto, vencedor do prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura em 2006, o prédio da Fiesp está entre os “mais notáveis” da maior metrópole brasileira. “E merece os meus cumprimentos pelos seus 34 anos”.

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