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Paulínia Petróleo e Gás: painéis abordam desafios e oportunidades de investimentos na cadeia produtiva de P&G

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Ao participar do “Paulínia Petróleo e Gás”, evento realizado nesta quarta-feira (21/08) no município da Região Metropolitana de Campinas, o superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Alfredo Renault, abordou os desafios e oportunidades da cadeia produtiva do setor.

Renault iniciou sua exposição falando sobre as estimativas de investimento no setor. “É importante termos uma ideia do que virá, uma vez que São Paulo terá participação na captação desses investimentos”, disse.

Segundo Renault, 59% dos investimentos realizados no Brasil de 2012 a 2015 – um total de R$ 359 bilhões – são recursos alocados no setor . “Com 1,24 milhões de emprego e arrecadação tributária de 80 a 100 milhões de reais”, contou.

“É uma década de investimento forte, o que garante ao investidor uma segurança, em função do largo prazo de consolidação de capital”, afirmou.

Renault falou também sobre a exploração e produção de 2013 a 2017. “Serão cerca de 285 bilhões de reais, com investimentos estatais e privados, em todo o setor. Sendo 175 bilhões de dólares em exploração e produção, também com participação da Petrobras e de operadoras privadas”, explicou.

Para o superintendente, exploração e produção de petróleo é o “centro, o alicerce do setor no Brasil”, com objetivo de alcançar quatro milhões e 200 mil de produção de barris de petróleo.

Pré-sal  

Alfredo Renault explicou que a camada do pré-sal vai do litoral da costa sul de São Paulo até o ‘meio’ do Espirito Santo.  “As grandes descobertas estão na divisa de São Paulo e Rio de Janeiro, o ‘cluster do pré-sal’. Com níveis de resultado de perfuração impressionantes”, conta.

Para Renault, o impacto do pré-sal sobre as reservas brasileiras será “avassalador”. “De 1997 até 2013, saímos de sete milhões pra 15 milhões de barris, dobrando a reserva de petróleo”.

Para o superintendente, com a incorporação da reserva de pré-sal,  a perspectiva é que o Brasil se torne o oitavo maior produtor do recurso – “triplicando para um total de 60 milhões de barris”, acentuou.

Perfil e produtividade da cadeia de fornecimento

De acordo com Renault, o setor tem enorme capilaridade de demandas. “A partir do operador, a empresa produtora do petróleo, o setor pulveriza-se, aumentando o porte e o numero de empresas e demandas de equipamentos, bens e serviços. É uma cadeia de fornecimento não vinculada ao centro produtor”, analisou.

Além disso, segundo o superintendente, possui intensiva mão de obra qualificada e é catalisadora de desenvolvimento tecnológico e de inovação.

Outra característica, segundo Renault, é a diversidade de bens de capital consumidos, como bombas, motores, vasos, tubos, válvulas, compressores e caldeiras, entre outras. “Com cerca de 200 empresas, com a oportunidade de alto de crescimento de oferta, com o aporte de muitas novas empresas”, disse.

Fatores de competitividade

Preço, prazo e qualidade. “A indústria é exigente quanto a esses fatores. Para isso, é necessário atuar em campos de tecnologia, engenharia nacional, recursos humanos qualificados, a dificuldade de acesso a financiamento.”

Renault listou também os riscos para a competitividade nacional. “Captação de financiamento externo atrelado a suprimento, a competitividade chinesa, atração de empresas do exterior e a dosagem do conteúdo local pode levar à incompatibilidade econômica”, concluiu.

Conteúdo local

Em seguida, Marcelo Mafra, coordenador da Agencia Nacional de Petróleo (ANP), abordou o tema “Conteúdo Local e Certificação no Setor de Petróleo e Gás”.

“Todos os agentes devem estar cientes dos processos de regulamentação do conteúdo local”, iniciou.

Mafra explicou a origem dos compromissos do conteúdo local. “O Brasil abriu o mercado de exploração e produção. As bacias foram divididas para que empresas pudessem arrematar em leilão e desenvolver atividades. Foram, até então, 850 blocos arrematados”, conta.

Características do setor

Mafra classifica o setor como um setor de intensivo e de longo prazo investimento em capital. “Para isso, investimento precisa ser utilizado para desenvolver inovação, tecnologia, recursos humanos e conteúdo local”.

“O objetivo final do conteúdo local é o compromisso de aquisição de bens e serviços locais em bases competitivas. O objetivo é a sustentabilidade, desenvolvimento econômico e criação de empregos cada vez mais qualificado”, explica.

Mafra falou também sobre os desafios e oportunidades do setor. “Temos que criar engenharia básica para exploração off-shore – provavelmente teremos 40% da produção off-shore do mundo. Precisamos de conteúdo local para isso.”

Além disso, Mafra falou sobre a atual situação das certificações de conteúdo local. “São quatro mil certificados por trimestre, atualmente. Precisamos entender como a indústria está atuando diante desse processo.”

Futuro

De acordo com o coordenador, o Brasil precisa superar lacunas estratégicas para o desenvolvimento da cadeia de valor nacional.

“Precisamos de investimento pesado para formação de cluster. Sem isso não teremos conteúdo local suficiente para demanda. Precisamos de ganho de produtividade. E de diálogo com a indústria para a discussão desse assunto vital para a competitividade nacional”, finalizou.