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Participantes do Curso de Gestão de Recursos de Defesa 2019 conhecem polo arrojado da indústria da Defesa brasileira, em São José dos Campos

Visitas incluíram as instalações da Avibrás, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial do Comando da Aeronáutica, e da Embraer, entre outras empresas e instituições dedicadas ao desenvolvimento da Defesa e da Segurança Nacional

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Após um mês de aulas teóricas ministradas na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os integrantes da turma de 2019 do Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD) – uma iniciativa promovida pela Escola Superior de Guerra em parceria com a Fiesp – tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho que empresas,  universidades e incubadoras nacionais tem realizado em prol do desenvolvimento de pesquisa, tecnologia e inovação, as três grandes forças matrizes da evolução da base industrial de defesa brasileira.

A primeira parada feita durante a viagem a São José dos Campos ocorreu no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do Comando da Aeronáutica, órgão que planeja, gerencia, realiza e controla as atividades relacionadas à ciência, tecnologia e inovação, no âmbito do Comando da Aeronáutica.  Ali, o grupo participou de uma visita técnica ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), responsável por alguns dos maiores feitos da indústria de Defesa brasileira, como a produção do primeiro avião brasileiro, a concepção dos então inéditos combustíveis renováveis no Brasil, e o desenvolvimento da linha de foguete Sonda, pioneira no país e fundamental para a criação dos motores dos veículos lançadores de satélites (VLS).

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Participantes do Curso de Gestão de Recursos de Defesa 2019 visitam às instalações do DCTA. Foto: Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)/Sargento Frutuoso

Por meio de projetos desenvolvidos com o Instituto de Tecnologia Aeroespacial e outros órgãos subordinados ao DCTA, o IAE se dedica ao desenvolvimento de pesquisa aplicada e tecnologia avançada na área aeroespacial, fazendo contribuições científicas que visam garantir a independência da indústria brasileira. Oferecer assessoria técnica especializada a empresas da indústria de Defesa, investigar acidentes aeronáuticos, e desenvolver foguetes suborbitais, são algumas de suas especialidades. Carros chefe do instituto, como o Veículo Lançador de Microssatélites fabricado com fibra de carbono (VLM-1) e a TR-5000, turbina aeronáutica 100% nacional capaz de alcançar 300km/h e aplicável na geração de energia elétrica, foram algumas das soluções apresentadas à turma.

Na sequência, os cgerdianos puderam se encantar com o trabalho realizado pelo ‘MIT brasileiro’: o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Comprometidos com a capacitação de civis e militares e com o desenvolvimento de inovação e tecnologia em benefício do Brasil e da sua indústria aeroespacial e de Defesa, os engenheiros do ITA revelaram ter planos audaciosos pra os próximos anos: a construção de uma sala integrada de gestão de projetos – prevista já para o final de 2019 – e a produção de laboratórios de simulação de sistemas aeroespaciais, testes de sistemas aeroespaciais e controle de operação de satélites.

Embora a promessa por novas instalações seja motivo de entusiasmo para a equipe do ITA, é o projeto SPORT (Scintillation Prediction Observations Research Task) que faz os olhos dos jovens engenheiros brilhar. Talvez nem mesmo o bem-sucedido ITASAT – nanossatélite brasileiro lançado em novembro de 2018, na Califórnia, tenha arrebatado tanto os brasileiros. Selecionado entre oitenta projetos de todo o mundo e elaborado em parceria com a Agência Espacial Norte-Americana (NASA), universidades dos Estados Unidos, INPE e a AEB, o Sport é o CubeSat mais complexo em desenvolvimento no Brasil. Criado para coletar dados da cintilação ocorrida na ionosfera – fenômeno que compromete serviços de telecomunicação e geoposicionamento –, o equipamento coletará informações que poderão ser usadas pela comunidade científica para melhorar seus modelos da inanosfera e permitir que um dia possamos determinar se um avião deve utilizar ou não um conjunto de sensores diferente do habitual devido a possíveis interferências no sinal do GPS.

“Para o segmento de defesa, os dados coletados do SPORT serão importantes para vários outros sistemas, como VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), veículos autônomos ou operados por meio de instrumentos, comunicação com tropas deslocadas, dentro outros”, explicou o professor de sistemas aeroespacial do ITA, Christopher Schneider Cerqueira.

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Alunos são recebidos por engenheiros do ITA responsáveis pelo ITASAT e o SPORT. Foto: Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)/Sargento Frutuoso