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Participação da iniciativa privada deverá aumentar no setor aeroespacial 

Essa é a avaliação de especialistas que participaram de reunião do Departamento de Defesa e Segurança da Fiesp  

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp 

A reunião do Departamento de Defesa e Segurança (Deseg) da Fiesp, realizada por videoconferência na segunda-feira (3/5), teve a participação do diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Tenente-Brigadeiro do Ar Potiguara, e do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Augusto Teixeira de Moura.

Conduzindo a reunião, o diretor-titular do Deseg, Carlos Erane de Aguiar, que preside o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), destacou a natureza multidisciplinar da atividade espacial em seus diversos níveis. 

Primeiro convidado a falar, o Tenente-Brigadeiro Potiguara apresentou as perspectivas do programa espacial brasileiro, com suas tecnologias disruptivas, e as atividades do Centro Espacial de Alcântara. “Investimos em ciência, pesquisa, desenvolvimento e inovação desde a década de 1950, porque a atividade espacial é estratégica e estruturante para o país”.  

O Tenente-Brigadeiro lembrou que tudo o que se faz precisa ter o objetivo de beneficiar a sociedade. “Estamos falando de comunicação, meteorologia, posicionamento global e observação da terra. Além disso, as atividades espaciais podem contribuir para aumentar a eficiência da segurança pública, reprimir crimes, melhorar os sistemas de controle de fronteiras, a capacidade de internet e a segurança das comunicações”, disse Potiguara, que acrescentou ser necessário existir estrutura que permita desenvolver e aprimorar as pesquisas, a fim de se chegar a esse nível de geração de serviços. 

Em relação a Alcântara, o diretor do DCTA entende ser importante impulsionar o desenvolvimento econômico e social no município e fomentar o desenvolvimento da indústria espacial brasileira na região. “As atividades de lançamento de veículos espaciais são extremamente benéficas ao programa espacial brasileiro”.  

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Para Moura, Brasil é grande consumidor de produtos, mas não é referência em termos comerciais. Fotos: Karim Kahn/Fiesp

Uma das maneiras de se obter ganhos significativos é por meio do lançamento de nano satélites que, de acordo com o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura, deverá crescer muito nos próximos anos. “A pandemia abriu e confirmou oportunidades para o setor espacial, com a digitalização da economia, novos serviços para o teletrabalho, mudança do estilo de vida e novos produtos. E os aplicativos comerciais que utilizam nano satélites devem crescer muito nos próximos anos”, afirmou Moura.  

Ao comparar o Brasil com seus vizinhos sul-americanos, o presidente da AEB disse que vivemos um maracanazzo espacial, e citou o caso da empresa argentina Satellogic, que montou uma solução em monitoramento remoto com constelação de 16 satélites, com fabricação no Uruguai, devido às condições mais favoráveis, com filiais na China, Europa e nos Estados Unidos. “E essa empresa tem diversos clientes brasileiros, na agricultura de precisão”, destacou. 

Por fim, Moura lembrou que o Brasil é grande consumidor de produtos, mas não é referência em termos comerciais. “Nossa perspectiva, entretanto, é de que esse mercado deva crescer cada vez mais, com aumento da participação do setor privado. Isso não significa diminuição do papel do governo, que continua a ter papel preponderante, principalmente nas questões que envolvem mais riscos, mas veremos mais empresas nesse mercado, principalmente nos próximos cinco anos”, finalizou, confiante de que o Brasil pode virar esse jogo. Também participaram da reunião o coordenador executivo de Conselhos e Departamentos da Fiesp, Gen. Div. Adalmir Domingos, e o chefe de Gabinete da Fiesp e do Ciesp, Tenente-Brigadeiro do Ar, Aprígio Eduardo de Moura Azevedo.

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Tenente-Brigadeiro Potiguara apresentou as perspectivas do programa espacial brasileiro