imagem google

Para presidente da Abese, mercado brasileiro de sistemas eletrônicos de segurança cresceria 20% ao ano com regulamentação mais eficiente

Durante o Congresso de Segurança Empresarial, na Fiesp, nesta quarta-feira (27/11), Selma Migliori apresentou números recentes sobre o setor; cadeia cresceu 10% nos últimos cinco anos

Guilherme Abati e Giovanna Maradei, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos (Abese) e diretora do Departamento de Segurança (Deseg) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Selma Migliori, afirmou, durante o Congresso de Segurança Empresarial – que acontece nesta quarta-feira (27/11) e prossegue até quinta-feira (28/11) – que o mercado brasileiro de sistemas eletrônicos de segurança cresceria 20% ao ano com regulamentação mais eficiente. O evento está sendo realizado na sede da federação, em São Paulo.

De acordo com a dirigente, o crescimento do setor foi de apenas 10% nos últimos cinco anos.

Selma apresentou durante o encontro um levantamento feito pela Abese em associação com a Universidade de São Paulo (USP) que mostra que, a partir da regulamentação, o mercado poderia alcançar até 20% de crescimento ao ano.

De acordo com Selma, toda a cadeia envolvida nas atividades de sistemas eletrônicos de segurança, desde os fabricantes e revendedores até empresas de monitoramento e consultoria, geram 200 mil empregos diretos e 1,7 milhão de empregos indiretos, com faturamento de R$ 4,2 milhões em 2012.

Para ela, a tendência do mercado atual é caminhar para uma cultura empresarial que valorize a presença de uma central de comando e controle, ou seja, um sistema de segurança com equipamentos totalmente integrados, com controle preventivo e eficiente.

Selma: cultura empresarial que valorize a presença de uma central de comando e controle. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Selma: cultura empresarial que valorize o uso de sistemas integrados. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“A integração dos diversos sistemas de segurança eletrônica apoiados por sistemas de procedimentos operacionais, sistemas de investigação e profissionais capacitados dota a empresa de uma solução de segurança institucional integrada, planejada e inteligente”, afirmou.

Experiência espanhola

Após a dirigente, Cristiano Felicíssimo, diretor da divisão de tecnologia em segurança do grupo El Corte Inglês, da Espanha, salientou a importância de investir em sistemas integrados de segurança eletrônica. Além disso, Felicíssimo apresentou o cenário atual desses sistemas e qual o patamar que eles podem alcançar.

Poucas empresas, segundo o diretor, compreendem o que significa ter um sistema de segurança eletrônica efetivo e acabam criando projetos deficitários, que não vão além da instalação de um ou outro equipamento. “É importante que o cliente entenda que segurança eletrônica é muito mais do que componentes, muito mais do que tecnologia ou sensores que são instalados”, ressaltou.

Sem integração, as informações colhidas pelos equipamentos de segurança instalados não conversam entre si e se tornam muito menos eficazes. “Muitas vezes você vai a uma empresa e vê que o bombeiro tem um painel de todos os detectores de incêndio, mas ele só tem aquilo”, disse. “Ele vê um alerta no quinto andar, na sala 2, por exemplo, mas até chegar lá não sabe o que vai encontrar, pois o pessoal de vídeo e monitoramento não está nem sabendo desse possível incêndio”

Por consequência, as equipes de segurança acabam sendo muito mais reativas, agindo depois de um grave acontecimento e não prevenindo ou gerenciando os riscos dele acontecer.

Segurança integrada

O especialista ainda lembra que não são poucos os casos que nem mesmo a investigação de uma ocorrência consegue ser feita. Muitos diretores não conseguem mensurar os resultados do investimento em segurança, pois eles estão desintegrados, e acabam economizando em equipamentos que acabam falhando e não gravando o incidente, por exemplo.

Para o diretor da divisão de tecnologia em segurança do grupo El Corte Inglês, é fundamental inserir uma cultura de planejamento dentro das empresas. Mostrar para executivos e fornecedores que é necessário definir um plano diretor de segurança, com comprometimento executivo que seja viável e mostre resultado, incluindo não só a segurança eletrônica, mas também a capacitação dos profissionais de segurança em processos, tecnologia e cultura. “Segurança integrada é investimento, não é custo”, concluiu o especialista.

No encerramento do primeiro dia do Congresso de Segurança Privada, Michel Pipolo de Mesquita, diretor corporativo da empresa GPS, abordou questões relativas à gestão de acordos de nível de Ssrviço.

Para Mesquita, a compreensão da perspectiva do cliente e a comunicação veloz com o cliente são temas fundamentais para o crescimento do setor de segurança nacional.  “A melhoria do setor cabe aos prestadores de serviço”, analisou.

Normalização do setor

A importância da normalização do setor de tecnologia em Segurança foi tema do último painel do dia, que contou com a presença de Antônio Carlos Santos, coordenador técnico do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Segundo Santos, normalização é um componente benéfico para todos os envolvidos com o setor. “Os benefícios são qualitativos, com a qualificação adequada dos recursos, a uniformidade da produção e a facilitação do treinamento de mão de obra”, disse.