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Para especialista da Sorbonne, Euro causou “fissura” entre países da Comunidade Europeia

Guillermo Hillcoat falou na Fiesp sobre a insuficiência do modelo institucional da união monetária

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“O processo de endividamento dos agentes econômicos da Europa começou antes da criação do Euro. A existência da moeda não fez mais do que agravar o processo de alavancagem dos países”, declarou nesta segunda-feira (19) o diretor da cátedra das Américas da Universidade Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), Guillermo Hillcoat, em palestra ministrada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Guillermo Hillcoat analisa a crise internacional, na Fiesp

Acompanhado dos diretores da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, Mario Frugiuele e Sylvio Gomide, Hillcoat explicou que a criação da moeda única reforçou a diferença de competitividade entre o norte e o sul da Europa, refletida na assimetria dos índices de emprego, déficit público e balança comercial das duas regiões. Na comparação, os países sulistas apresentam dados negativos em todos os itens, ao contrário das nações ao norte, as quais apontam resultados positivos.

“Desde a criação da moeda única, as trajetórias divergentes dos estados membros da Zona do Euro revelam as insuficiências na arquitetura da união monetária e seu caráter incompleto”, afirmou Hillcoat. “Aos poucos se estabeleceu uma fissura entre as regiões norte e sul, o que explica, em parte, a fragilidade do modelo.”

Para o diretor, apesar da aparente contenção da crise financeira após as facilidades concedidas aos bancos pelo Banco Central Europeu (BCE), a incerteza sobre as modalidades de reativação da economia dos países periféricos ao sul ainda permanece.

“Sem a retomada econômica, os ajustes que estão sendo feitos simultaneamente em diversos países correm o risco de se tornar não somente muito penosos, mas fortemente recessivos. Assim, o desacoplamento entre a Zona do Euro e o resto do mundo, incluindo os Estados Unidos, torna-se mais acentuado”, frisou.

Segundo Hillcoat, o cenário é ainda mais grave se levarmos em consideração a política monetária mantida pelo BCE que, “embora generosa com os bancos, é ortodoxa em relação às necessidades de refinanciamento dos Estados”.