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Para diretor da Fiesp, defesa comercial não é feita apenas com tarifa, mas com intervenção no dólar

Ao abrir seminário ‘Diálogos para Defesa da Indústria’ na sede da entidade, titular do Derex, Roberto Giannetti da Fonseca, diz que, em momentos difíceis, governo deve administrar câmbio para impulsionar atividade econômica e gerar empregos e renda

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A aplicação de tarifas e medidas antidumping para proteger o comércio e a indústria brasileira é importante, mas há outras medidas mais sutis e, ao mesmo, fortes que um país pode adotar para garantir competitividade de seus produtos. Uma delas é a intervenção na moeda local, avalia Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Gianetti: '“É ingênua a afirmação de certos economistas de que o câmbio no Brasil é flutuante.' Foto: Helcio Nagamine.

“É claro que não podemos deixar de reconhecer que quando se aumenta tarifas, estamos tentando proteger a indústria brasileira de uma concorrência desleal”, afirmou Giannetti ao abrir o seminário Diálogos para a Defesa da Indústria, realizado nesta quarta-feira (07/11) pelo Derex da Fiesp. “No entanto, a defesa comercial não é só tarifa.”

Giannetti defende a administração do câmbio, por parte do governo, em fases de difíceis, visando impulsionar a atividade econômica e a geração de empregos e renda. Todos os países, segundo ele, agem diretamente sobre sua moeda local em momentos de crise financeira. O diretor da Fiesp diz que chega a ser “ridículo” considerar que o câmbio no Brasil é flutuante.

“Diante do risco de valorização muitos países na Europa e os próprios Estados Unidos decidiram por a mão pesada, visível mesmo, sobre sua moeda”, afirmou o diretor. “É ingênua a afirmação de certos economistas de que o câmbio no Brasil é flutuante.”
No mês passado, o ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu que o governo tem administrado o câmbio para melhorar a competitividade do país. Mantega classificou o atual momento de intervenção no câmbio como “flutuação suja.”

Evento

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Evento aconteceu na manhã desta quarta-feira (07/11). Foto: Helcio Nagamine

Empresários e representantes do governo se reuniram nesta quarta-feira (07/10) para discutir mecanismos de defesa da indústria.
Entre os palestrantes convidados, o coordenador do Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marco César Saraiva Fonseca, traçou um panorama do que foi feito este ano e mostrou perspectivas da área para 2013.

Fonseca acredita que o novo regulamento antidumping deve ser implementado ainda no início do próximo ano. “A expectativa hoje é de aprovação agora no mês de novembro, mas somente deve entrar em vigor no mês de fevereiro de 2013”, afirmou.

“Em encontros como esse podemos trocar experiências, trazer à reflexão as pessoas envolvidas no tema e aprimorar mecanismos e políticas públicas”, afirmou Giannetti.