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Papel das hidrelétricas no desenvolvimento econômico em destaque na conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Debate foi mediado pela embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, diretora-titular-adjunta do Deinfra na Fiesp

Isabela Barros,Agência Indusnet Fiesp

O papel das hidrelétricas como fator de desenvolvimento social e econômico do Brasil esteve no centro das discussões da conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O debate teve como tema “A importância das hidrelétricas para um Brasil Competitivo”. O evento começou nesta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, na capital paulista, e segue até esta terça-feira (06/08).

Sob a coordenação da embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, a diretora-titular-adjunta do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), a conferência teve como participantes o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC) e o professor da UFRJ Jerson Kelman.

Em sua apresentação, Márcio Zimmermann destacou que, num país como o Brasil, com áreas desenvolvidas e outras não, as hidrelétricas podem estimular o crescimento social e econômico. “Os municípios com hidrelétricas apresentaram Índice de Desenvolvimento Humano (IDH ) acima dos outros da região”, disse.

Zimmermann defendeu que esses sistemas de geração de energia elétrica são “imprescindíveis para países em desenvolvimento”. “Uma hidrelétrica é feita hoje e vai durar, com poucos investimentos, centenas de anos”, disse. O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia explicou ainda que as usinas com reservatórios não são “achismos”, mas projetos feitos com “engenharia por trás”.

“A grande discussão a respeito da energia elétrica no Brasil é aquela em que a sociedade, cada vez mais, começar a cobrar a respeito do uso múltiplos da água”, afirmou. “São pontos importantes para o país pensar”.

Em defesa da segurança hídrica

Segundo debatedor da conferência, Benedito Braga destacou a importância do conceito de segurança hídrica num cenário em que ainda existem 1,8 bilhão de pessoas sem acesso à água potável no mundo. E mais 1,3 bilhão que não usam eletricidade. “O desenvolvimento econômico e social é essencial para garantir um meio ambiente favorável para o trabalho e a vida”, disse.

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante" é desafio. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC), os capitais “ambiental, econômico, humano e social” devem conviver em equilíbrio nos países. “O desafio é usar o capital ambiental de forma menos impactante”, explicou.

Dessa forma, a chamada segurança hídrica existiria sempre que todos os habitantes de determinada nação tivessem acesso à água em quantidades suficientes. “Existe uma correlação entre infraestrutura hídrica e crescimento econômico”, afirmou Braga.

Para ele, a água e sua gestão devem fazer parte da agenda política mundial. “O tema da água é essencialmente de natureza política”.

Veja a apresentação completa de Braga.

Rigor nos licenciamentos

De acordo com o terceiro debatedor da conferência, Jerson Kelman, o licenciamento ambiental de novas usinas tem ocorrido “em doses homeopáticas”. “O rigor ambiental nos licenciamentos tem provocado um paradoxo ambiental”, explicou. “É burocraticamente mais simples produzir energia elétrica queimando derivados de petróleo ou carvão, que contribuem para o efeito estufa, do que usando água”.

Kelman: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kelman foi um dos três debatedores: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Assim, para Kelman, é preciso “priorizar os interesses da maioria”. “Não dá para dizer apenas que não pode”, colocou. “É preciso dizer o que pode também”.

Diante desse quadro, segundo o professor, não haveria outro caminho que não o “diálogo baseado no conhecimento e na boa fé”.

Para conferir a apresentação de Kelman na íntegra, só clicar aqui.