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Painel debate obstáculos e oportunidades para aumentar competitividade brasileira

No Encontro Brasil-Alemanha, representantes da Fiesp, BNDES, Ceal, AHK e KfW IPEX-Bank GmbH citam fatores como redução da burocracia e investimentos em infraestrutura, tecnologia e mão de obra como fatores essenciais para mudar quadro no país

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor-titular do Decomtec. Foto: Luís Benedito/Fiesp

Infraestrutura, qualificação da mão de obra e tecnologia foram alguns dos temas presentes no debate “Competitividade, um fator-chave para o crescimento”, realizado na manhã desta segunda-feira (13/05) durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) 2013.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor-titular do Departamento de Competitividade da entidade (Decomtec/Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, afirmou que, apesar de avanços no ano passado, o Brasil tem que melhorar em competitividade com mais rapidez.

“Ano passado, o governo tocou em pontos importantes para a competitividade brasileira. Mas no Brasil nossa carga tributária é imensa – especialmente para a indústria – e temos uma deficiência muito grande na nossa infraestrutura. Temos problemas sérios com relação à burocracia. Enfim, um conjunto de fatores que torna caro produzir no Brasil”, disse Roriz, que citou um estudo recente da Fiesp. “Em uma avaliação com os 15 principais parceiros comerciais, verificamos que produzir no Brasil é 32,4% mais caro que a média desses países.”

Infraestrutura e tecnologia

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David Kupfer, assessor da presidência do BNDES. Foto: Luís Benedito/Fiesp

Davi Kupfer, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), afirmou que a falta de infraestrutura é um grande problema brasileiro, mas também deve ser visto como oportunidade. “O hiato de infraestrutura que se acumulou no Brasil é muito extenso porque os investimentos foram praticamente nulos em um período de desorganização econômica. Mas, perdurando essa robustez nas contas públicas e da capacidade de investimento e com o aprendizado jurídico, será possível ganhar velocidade nas ações necessárias para o avanço no país”, disse Kupfer.

“A infraestrutura é um problema, mas também é um conjunto de oportunidades de investimentos e de desenvolvimento tecnológico. Temos que aproveitar para construir uma infraestrutura altamente eficiente, pensando nos parâmetros de sustentabilidade, em uma expansão com mais planejamento e matrizes energéticas e de transporte mais racionais, com efeitos positivos para o futuro”, completou o representante do BNDES.

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Roberto Rodrigues, membro do Conselho Empresarial da América Latina. Foto: Luís Benedito/Fiesp

Na opinião de Roberto Rodrigues, membro do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), o investimento em tecnologia é um dos pontos importantes para garantir a competitividade.

“O crescimento da agricultura nacional, por exemplo, tem como base o investimento em tecnologia, que deu origem a um padrão tecnológico tropical inigualável no mundo. Nos últimos 20 anos, a área plantada com grãos cresceu 41%, enquanto a produção aumentou 217%, o que mostra o aumento da produtividade.”

Qualificação profissional

Mas não basta tecnologia sem mão de obra qualificada, alertou Holger Apel, vice-presidente da KfW IPEX-Bank GmbH. “Quem gera inovação não são as máquinas, mas as cabeças”, disse ele.

Os participantes alemães deram ênfase à importância do sistema de formação dual, em que o profissional é treinado diretamente na empresa com investimento feito pelo próprio empresário.

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Thomas Schmall, presidente da AHK e da Volkswagen do Brasil. Foto: Luís Benedito/Fiesp

“É bom para o funcionário e para a empresa, mas há dois parâmetros decisivos para que o sistema funcione”, explicou Apel. “O primeiro é a consciência das empresas, da necessidade de investir em algo que não vai trazer lucro em dois e três anos. No entanto, saber que está formando pessoas que vão definir o futuro de suas empresas. A outra é o apoio do governo.”

Roriz, vice-presidente da Fiesp, destacou que a formação profissional é uma das possibilidades de intercâmbio entre a Alemanha e o Brasil. “O investimento em educação no Brasil cresceu em quantidade, mas não em qualidade. Há setores, como o de petróleo e gás, que passam por dificuldade para encontrar pessoas qualificadas para trabalhar. Acredito que existe aí um espaço para uma cooperação maior entre Brasil e Alemanha.”

Como exemplo de uma iniciativa brasileira no caminho de criar um sistema dual, Kupfer, do BNDES, citou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “É um programa de grande porte, envolvendo recursos volumosos, em parceria com entidades empresariais como o Senai, que esperamos que colabore para um salto de qualidade na mão de obra para as tecnologias contemporâneas.”

Investimento em inovação foi outro tema debatido no painel. Para Thomas Schmall, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) e presidente da Volkswagen do Brasil, “o Brasil hoje é um dos mercados mais inovadores e o consumidor brasileiro exige os produtos mais modernos que existe”. Por isso, as empresas vão ter que acompanhar esse mercado e dar um salto de inovação.