imagem google

Os juros na economia brasileira vão se reduzir ainda mais ou se manter? Este foi o destaque em encontro na Fiesp

Economistas avaliam velocidade da queda da taxa de juros e seus impactos na economia brasileira

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em sua última reunião, o Conselho Superior de Economia (Cosec), realizada dia 27/11, deu destaque aos juros baixos na economia brasileira, com o objetivo de compreender se este é um ciclo que veio para ficar. O tema foi tratado por dois acadêmicos da área da Economia que têm pontos de vista coincidentes em alguns aspectos e divergentes, em outros, como, por exemplo, quanto à velocidade da queda de juros.

“A firmeza do Banco Central e as medidas do governo produziram um processo continuado de queda das expectativas de inflação”, afirmou José Júlio Senna, mestre e doutor em Economia pela Johns Hopkins University, membro do Conselho Diretor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que integra a equipe de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE).

De acordo com Senna, em meados de 2017, iniciou-se um processo de redução gradual das metas de inflação: 4,25%, e não mais 4,5%, que vigorou desde 2005. E há expectativa de 4%, em 2020; 3,75% em 2021; 3,5% em 2022.

Para ele, o país ainda busca uma meta inflacionária, extremamente relevante para o controle de preços. Mas, ao tratar dos modelos do Banco Central (BC), afirmou que “argumenta-se que o quadro recessivo ajudou muito, mas não custa lembrar que, sozinha, uma recessão não ‘derruba’ a inflação, necessariamente”.

A recessão revela descontrole do governo e pode afetar expectativas de inflação, opinou, lembrando, em sua análise, outra ajuda que vem do mundo externo: “inflação baixa e juros baixos, lá fora, certamente ‘contaminaram’ favoravelmente o cenário nacional”. Senna frisou a conexão entre inflação baixa para se obter igualmente juros baixos e as conquistas recentes – ajustes estruturais – que têm de tudo para serem duradouras.

Senna concluiu afirmando que combater a inflação é custoso e difícil e enquanto o BC mantiver a prioridade inflacionária baixa, “estamos bem”, mas pontuou que, para que o prognóstico seja duradouro, o mundo deve permanecer como está, mas também é essencial atenção às questões políticas e fiscais.

“Senna colocou muito peso no político-fiscal, o que eu não faço, pois demora mais. Vou olhar a curto prazo, de 2018, para cá com as transformações importantes do Banco Central e medidas que terão impacto para as micro e pequenas empresas”, afirmou Sérgio Werlang, doutor em Economia pela Princeton University, docente e assessor da presidência da FGV e ex-diretor do BC.

Na análise de Werlang, o Banco Central estava fixado no curto prazo e fez ‘barulho’ para diminuir metas longas: “O mantra do Banco Central – por 13 meses – era que a inflação de 6,5% era produtiva, enquanto o PIB caia. Há uma interação da política fiscal e monetária aqui”, avaliou. Para ele, o Banco Central errou ‘conservadoramente’.

Abraçou-se o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) estadual que é um ‘monstro’, o imposto que mais arrecada no país e o que mais atrapalha, o ICMS, afirmou, brincando que “o bode vai ficar na sala”, pois o Brasil gasta 80% com aposentadorias e outros 60-65%, no máximo, com pensões. Em sua análise, o fundamental é o equilíbrio de ajuste fiscal de longo prazo, necessário para que os juros não voltem a subir. “O ICMS precisa mudar, é confuso e ineficiente”, disse.

Apesar do cenário, a economia já está reagindo, afirmou, e a continuidade das reformas é fundamental e a Administrativa, essencial. Ele também tratou do spread bancário e sua conexão com o mercado financeiro e do open banking que beneficia as PMEs, além de defender a autonomia do Banco Central, mas com o devido controle da sociedade para ser ‘tocado’ por grupos conservadores.

José Ricardo Roriz Coelho, 2º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, frisou a importância da convergência do ajuste fiscal para os juros serem mais baixos. “Estamos atentos à reforma Administrativa e a Tributária, que não está próxima”, frisando que o ICMS é o pior imposto.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1606456051

Economistas avaliam, no Cosec, se há mais espaço para queda de juros. Foto: Karim Kahn/Fiesp