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Olhar o mercado por outra perspectiva revela oportunidade de negócios para a indústria têxtil

Com foco no segmento da moda, no período pós-pandêmico, integrantes do Comtextil avaliam possibilidades diante do aumento das exportações e crescimento global promovido pelo avanço da vacinação

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) se reuniu em videoconferência nesta terça-feira (26/10) para discutir sobre mercado da moda e as oportunidades no pós-pandemia. O tema foi motivado devido à retração industrial nesse setor ao longo de 2020. No entanto, o aumento das exportações e o forte crescimento global em resposta ao avanço da vacinação poderão afetar positivamente a indústria no restante deste ano. 

De acordo com o presidente do Comtextil, Elias Saab, há alguns pontos que afetam negativamente a indústria neste final do ano, como a escassez de matéria-prima, inflação e a alta do preço da energia. Porém, ele pondera: “Embora diante da turbulência, temos oportunidade nos nossos negócios, basta olhar por outra perspectiva”.

Por outro lado, a preocupação maior levantada é o desafio quanto à recuperação de empregos, de acordo com Marcelo Villin Prado, diretor titular adjunto do Comtextil. De 2015 a 2020, diminuiu o número de pessoas ocupadas: no ano passado, esteve na casa de  quase um milhão, uma queda de 14,3%.


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Marcelo Villin Prado, diretor titular adjunto do Comtextil, debate com os integrantes do Comtextil as perspectivas futuras para o setor


Por conta da pandemia, em 2020, a indústria sofreu impacto de 17 pontos percentuais negativos em relação ao ano anterior, posicionando a produção local em 126,2 bilhões, considerando o número de unidades produtivas, pessoas ocupadas e peças consumidas.

Esperamos voltar, até 2023, aos mesmos níveis de 2019, quando os indicadores eram maiores na indústria e no varejo. Se o varejo performar melhor, a tendência é que a indústria chegue ao mesmo patamar”, destaca Villin.

Sobre a produção de vestuário em geral, de 2016 a 2020, a produção em peças teve queda de 12,6%, porém, em valores nominais (sem levar em contar a inflação do período) houve um aumento de 2,1%. Na evolução da produção de vestuário, para 2021, as estimativas do IEMI, fundação voltada à inteligência de mercado, apontam para crescimento de 12,6% na produção de vestuário em volume de peças.

Sustentabilidade na indústria têxtil

Com o passar dos anos, a expectativa de vida aumentou. Hoje o Brasil conta com mais de 213 milhões de habitantes e expectativa de vida média na casa dos 77 anos. Em 2050, com previsão de 238 milhões de habitantes, essa expectativa aumentará para 81. Alinhada a este cenário, a sustentabilidade está cada vez mais em evidência, reflexo da geração mais jovem, engajada, e decisora no momento da compra.

Para Villin, o futuro da indústria têxtil dependerá de alguns desafios para o Brasil: “É preciso sermos sustentáveis; investirmos em ciência e tecnologia; requalificar empregos; nos integrarmos a outros países e mercados e haver imigração de jovens e famílias estrangeiras para o Brasil, aumentando os consumidores internos”, diz.