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O retorno ao trabalho no cenário pós-pandêmico: do formato híbrido aos cuidados sanitários necessários

A pandemia de Covid-19 mobilizou empregadores e colaboradores em torno de ferramentas tecnólogicas. Com esse legado, especialistas avaliam as lições apreendidas e as alternativas atuais

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em evento organizado pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaude) da Fiesp, nesta terça-feira (7/12), debateu-se o trabalho no cenário pós-pandêmico e seus aspectos sanitários e jurídicos, sistemas e gestão de equipes, o que inclui também questões arquitetônicas e jurídicas.

Para Ruy Baumer, diretor titular do ComSaude, a pandemia fez com que os colaboradores se acostumassem a trabalhar em casa, mudassem de residência ou cidade, nessa adaptação home office, e outros não conseguiram enfrentar tantas mudanças tecnológicas em curto espaço de tempo. Esse cenário foi acompanhado do surgimento e uso de aplicativos e plataformas antes desconhecidas por muitos. “A pandemia fez com que conhecêssemos a casa dos outros, seus pets e crianças, em um ambiente mais informal, e ganhamos tempo, fugindo do congestionamento”, disse, ao frisar que a questão que se coloca agora é o retorno e a liberdade de escolha, as expectativas frente a um mundo hídrido.

Guilherme Cavalieri, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos São Paulo (ABRH), afirmou que a importância dessa discussão reside no fato de terem sido estabelecidas novas opções, com implicações culturais, após dois anos em um cenário pandêmico, e empresas e colaboradores estão se organizando para a retomada das atividades. Ele pontuou que muitos trabalhadores permaneceram na linha de frente o tempo todo, não puderam parar, e citou o caso de colaboradores do Hospital A. C. Camargo: a adaptação remota pode alcançar com mais abrangência os que exercem funções administrativas, pois a tecnologia deu suporte rápido à necessidade surgida.

Se antes não houve tempo para um preparo estruturado, agora há tempo de se preparar para o retorno, de acordo com ele. Antes, os comitês de saúde se mobilizaram rapidamente e houve agilidade da área de TI e dos demais departamentos envolvidos no processo, também em termos de legislação, com a flexibilização, disse ele ao citar a redução de jornada e de salário, um artifício importante em termos de gestão para diversos setores.

Hoje os escritórios avaliam os seus espaços sob o ponto de vista arquitetônico, como de convivência, perdendo-se um pouco o caráter de mesa como posto de trabalho, além de questões relacionadas ao modelo híbrido, uma tendência, conforme o expositor, mas é preciso uma análise caso a caso por parte do empregador, inclusive em função da construção de escalas, a fim e alternar as equipes, e as medidas de segurança sanitária com atenção à saúde dos colaboradores.

Segundo Cavalieri, a adaptação da residência do colaborador – com a oferta dos equipamentos necessários – e benefícios concedidos, trouxe ganhos importantes ao lado da percepção de que é possível realizar a gestão da equipe mesmo a distância.

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Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp

A organização das empresas e a necessária orientação aos colaboradores nas questões sanitárias e de gestão da saúde a fim de garantir ambientes saudáveis e seguros foi a temática trazido pelo Dr. José Miranda, médico do trabalho do Sesi-SP para este debate.

Em sua opinião, estamos em um cenário confortável com a gestão eficiente dos casos, o apoio da legislação, e o fato de 94% da população elegível estar vacinada. O índice de replicação do coronavírus hoje é baixo e o número de internações também se encontra em queda. Em sua perspectiva, a pandemia se transformará em endemia, evitando-se a manifestação de casos graves e a sobrecarga no sistema hospitalar. Quanto à chamada ‘imunidade de rebanho’, para ele, é discutível, pois crianças e adolescentes não vacinados ainda contaminam seus pais e esse é um ponto de reflexão para as empresas.

O Dr. José Miranda também detalhou fatores facilitadores e protetores, além de comparar tópicos relativos à saúde ocupacional e saúde pública, pois “é diferente o ambiente organizacional frente à saúde pública” e, ainda, trouxe informações sobre o tempo recomendado para o isolamento e a quarentena.

Por fim, o especialista fez algumas recomendações: a ação do comitê de saúde em relação à exposição ao vírus em níveis laborais diferentes com a adoção de medidas de engenharia (aumentar a ventilação, criar barreiras físicas quando necessário, executar rearranjo do mobiliário, usar máscaras), combinadas com ações organizacionais (reduzir número de pessoas em ambientes mal-ventilados, limpar ambientes, investir em comunicação) e administrativas (triar diariamente os sintomas, facilitar o acesso à testategem, rastrear casos suspeitos e/ou confirmados, escalonar turnos), além do monitoramento de outros riscos agravados pela pandemia, como o psicossocial e questões ergonômicas.

Luciana Freire, diretora executiva jurídica da Fiesp, afirmou que o Judiciário respondeu de forma célere à pandemia, em função da legislação emergencial criada, mas o Legislativo, em compensação, foi mais moroso e o Executivo apresentou Medidas Provisórias para a manutenção dos empregos e medidas alternativas, com a antecipação de férias e também de feriados, evitando-se a demissão em massa, e estabelecendo a garantia na suspensão do contrato e redução de jornada, por exemplo [MP 927/2020 e 936/2020].

O sistema híbrido veio para ficar, para o comércio e o setor de serviços, mas a indústria tem características próprias, necessitando do colaborador no chão de fábrica e o serviço administrativo que comporta mais o home office. “A indústria terá de se reinventar, como já se reinventou na pandemia porque foi considerada essencial e não parou para não faltar produto algum no mercado, segundo informou Freire.

A diretora executiva jurídica da Fiesp também pontuou o debate sobre a Covid-19 poder configurar doença ocupacional ou não e o trâmite de Projeto de Lei, no Congresso Nacional, a respeito da volta das grávidas ao trabalho presencial desde que devidamente imunizadas, mais a Portaria n. 620, que trata da demissão por justa causa do colaborador que não tomar a vacina, pois coloca em risco a comunidade.

As ferramentas e técnicas de gestão mais eficientes na condução da retomada dos trabalhos presenciais, híbridos e home office foi tema detalhado por Mauricio Toti, mestre em Gestão e CEO da Deskmy, que avaliou o cenário no velho mundo do trabalho e no mundo novo e para onde se encaminha agora e, como gestores, o que se quer. Ele trouxe uma serie de preocupações, como a retenção de talentos e a oportunidade de avaliação e progressão igual para os colaboradores que se encontram tanto no ambiente físico como os que executam suas atividades de forma remota.

Nessa fase de adaptação, ele sugeriu cinco fases: análise, planejamento, gerenciamento, avaliação e tecnologia. Não há uma solução que funcione para todos, há papeis diferentes e distribuição igualmente diferente. Por isso é preciso considerar múltiplas opções de acordo com o tipo de atividade e de colaborador. Ele deu dicas sobre a elaboração de planejamento, gerenciamento e dinâmica e ainda apresentou ferramentas de colaboração e comunicação para esse metaverso, a união entre o mundo físico e o virtual.

Para acompanhar a íntegra do encontro, clique aqui.