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O mercado de trabalho precisará se ajustar aos efeitos da pandemia de Covid-19 e do cenário econômico, avalia economista

Para Armando Castelar Pinheiro, da Fundação Getúlio Vargas, a retomada de postos de trabalho dependerá dos rumos da economia e do avanço da vacinação no país

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

As perspectivas para economia e o mercado de trabalho em 2021 foi foco de encontro, na Fiesp, com o professor de Economia Armando Castelar Pinheiro, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). O acadêmico foi o convidado do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort), presidido por Maria Cristina Mattioli.

Para ele, a pandemia de Covid-19 representa um desafio para a economia e o mercado de trabalho diante da falta de perspectiva no curto prazo: “A vacinação é que vai determinar quando as economias irão se recuperar, e principalmente quais setores vão se recuperar. Apesar da economia estar mal, setores diferentes têm desempenhos distintos, o que impacta diretamente no mercado de trabalho”, afirmou Pinheiro.

Em sua avaliação, nem este ano nem no próximo voltaremos ao patamar pré-pandemia. “Hoje, 6% da população antes empregada deixou o mercado de trabalho e nem busca novos postos. Antes, a participação era de até 62% com vínculo empregatício, índice que caiu para menos de 56%, e parte dessa queda tem relação com o auxílio emergencial e a obrigação do isolamento, segundo observou o expositor.

Mesmo que mais empregos sejam criados em 2021, ainda assim mais pessoas estarão à procura de vaga. Logo, a taxa de desocupação não irá cair, na avaliação do economista. “Ao mesmo tempo que se emprega mais gente, mais gente fica desempregada”, avaliou Pinheiro, ao apontar o descompasso. Diante do levantamento da população ocupada, revela-se uma diminuição de pessoas economicamente ativas, com mais de 10 milhões de pessoas que não integram mais a força de trabalho. A desocupação é percebida em diversos setores, como a agropecuária, construção civil, indústria e, principalmente,  serviços, que, em geral, emprega mais pessoas.

Pinheiro salientou: “Se o setor de serviços não se recuperar, empregos também não serão recuperados, mesmo que já exista uma melhora no nível de atividade agregada da economia pelo bom desempenho da indústria e pelas vendas do comércio, é necessário o restabelecimento dos serviços nos postos de trabalho”.

De acordo com o expositor, voltar ao nível anterior de atividade agregada é de extrema importância, mas a composição dessa recuperação também é útil para fins de análise de mercado de trabalho. A projeção de crescimento para o Brasil, em 2021, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) é de alta de 3,6%. Na verdade, a previsão para o país é ainda de desempenho fraco na economia, que só irá registrar algum aumento a partir da metade do ano, se a vacinação avançar, como calculado no plano nacional de imunização do Ministério da Saúde.

“Para o mercado de trabalho vai ser um ano também difícil e, para os próximos, será desafiador, por mais que a vacinação destrave setores como turismo, hotelaria, restaurante, entre outros”, afirmou o convidado do Cort, que concluiu que temos de nos atentar à inflação, pois a política econômica refletirá também as preocupações eleitorais de 2022. 

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Em reunião virtual, Cort debate as perspectivas para a economia e o mercado de trabalho com economista da FGV. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp