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‘O futuro depende de colaboração e engajamento’, diz professor em palestra no Seminário da Micro e Pequena Indústria na Fiesp

Wellington Cruz lembrou ainda que é preciso trocar ideias para que negócios sejam gerados. Evento foi realizado nesta quarta-feira (24/10)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Só avança quem trabalha em parceria. E tem olhos e ouvidos abertos ao que está acontecendo ao seu redor. Para destacar essas questões entre os participantes do Seminário da Micro e Pequena Indústria, realizado na manhã desta segunda-feira (24/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o professor da Universidade São Judas Tadeu Wellington Cruz apresentou palestra sobre colaboração e engajamento nas micro e pequenas, com foco na inovação.

Para Cruz, é preciso prestar atenção a alguns pontos pesquisados pelo filósofo e economista indiano Amartya Sem, que fez estudos sobre a pobreza. “Para ele, a análise da pobreza deve se basear nas possibilidades que tem um indivíduo”, explicou. “E o progresso é fruto do êxito individual que ocorre em ambiente de democracia autêntica e de rede de apoio”.

Assim, atualmente, no Brasil, existiria uma tentativa de construir uma rede que dê suporte aos empreendedores. “As espécies diversas, quando ameaçadas, têm apoio da natureza para prosperar”, afirmou. “Trata-se do mutualismo, que a gente pode trazer como experiência para falar de algo muito abordado hoje e que chamamos de ecossistemas”.

Por mutualismo, entenda-se uma associação entre dois seres vivos na qual ambos são beneficiados. “O mutualismo se aplica aos nossos ecossistemas?”, questionou.

De acordo com o professor, a gigante de tecnologia Apple cresceu a partir dessa tendência, com com “o apoio de outros parceiros que tinham aquilo que ela não tinha”. “Com essa rede de inovação, a Apple se tornou muito forte: o valor agregado da empresa com inovação cresceu a partir do fortalecimento dessa parte. O mesmo vale para o Google”.

Uma prática que deve começar a partir de medidas simples. “Precisamos gerar o hábito de sentar ao lado de pessoas e trocar ideias com elas para que os negócios sejam gerados”, disse.

Nesse contexto, é preciso ter em conta que “visão é mais importante que estratégia”. “Elas podem mudar de escolha e isso é uma virtude, por isso o conceito de visão”, disse. “É aquela história de errar rápido, aprender rápido e evoluir”.

Em outras palavras: “pratiquem o mutualismo”. Para exemplificar a ideia, Cruz citou startups que foram compradas por grandes empresas. “Entre outros casos, a General Motors comprou Cruise, startup de veículos autônomos”, afirmou. “Para eles, era mais interessante do que fazer todo o investimento no trabalho que a Cruise já tinha feito”, disse. “O futuro depende de colaboração e engajamento”.

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Cruz no Seminário da Micro e Pequena Indústria: ter visão é mais importante do que ter estratégia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp