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O esporte promove inclusão, mas representa acima de tudo a vitória pessoal e o exemplo

A vida de atleta se assemelha a do empreendedor: é preciso ter persistência, cair, levantar e seguir em frente rumo ao seu propósito

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O esporte é ferramenta vital de inclusão. É a conclusão do bate-papo com atletas mulheres, e empoderadas, que batem forte, não desistem, angariam medalhas, e ainda dividem sua experiência de forma generosa e se dedicam a projetos sociais, além de manter seus sonhos no pódio.

Mayra “Sheetara” Bueno, lutadora de UFC, saiu de uma academia de artes marciais e se tornou profissional em 2015. No currículo, acumula 8 lutas profissionais com um recorde de 7 vitórias e é considerada uma das maiores promessas do Brasil no UFC (Ultimate Fighting Championship). Para ela, uma das dificuldades é apostar em outras modalidades no Brasil-país do futebol.

Outro aspecto levantado por Bueno é que as atletas, em geral, têm problemas com lesões, o que se soma às vezes à falta de apoio, inclusive familiar e de patrocínio. Apesar de ter pensado em desistir, a atleta voltou para o caminho certo, para mostrar que as mulheres podem e devem lutar. Bueno pontuou que se deparou com o momento certo:”Quando entrei no UFC eles queriam as meninas”.

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As atletas Aline Silva e Glória de Paula participaram de painel sobre a inclusão pela prática esportiva, junto com Mayra “Sheetara” Bueno. Fotos: Everton Amaro/Fiesp

Outra lutadora de UFC, Glória de Paula, que se tornou profissional em 2017, e igualmente uma promessa após 8 lutas profissionais em sua carreira, avalia que o cenário esportivo está melhorando. “A caminhada é árdua e há muito a ser feito ainda”, e comentou da emoção de entrar no UFC e não desistir mesmo diante da pandemia. Ela se diz “fortalecida pela vontade de atleta”.

Em seu depoimento, Aline Silva, atleta olímpica e do Sesi-SP, lutadora de wrestling, afirmou que já havia participado das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, mas a de Tóquio veio com as dificuldades a mais trazidas pela pandemia e foi preciso mostrar superação. “Isso vai marcar a minha carreira. A nossa trajetória é tão difícil que não tem como não se considerar vitoriosa”, mesmo sem ganhar medalhas. Ela frisou o apoio vital do Sesi-SP que a trouxe de volta ao wrestling quando estava se dedicando ao jiu jitsu. Como forma de retribuir o que recebeu, citou o seu engajamento na Pedagogia do Exemplo a fim de incentivar as crianças à prática esportiva e o projeto Empodera, para as mulheres se apoiarem e saber que podem e devem ir além, com a oferta de aulas de inglês, inclusive, projeto baseado no Sesi-SP, em Cubatão. Como afirmou a atleta, o esporte transformou tanto a sua vida que é importante usar essa mudança e dar significado ao ajudar outras pessoas a mudarem também suas próprias histórias. “Usar a minha história para o bem, a partir do momento que se tem mais voz, em função do esporte, e assim poder compartilhar conhecimento, liderança e força de vontade”, disse.

Aline Silva explicou que o wrestiling é dividido em estilo livre e greco-romana. Antigamente, era praticada somente por homens e as mulheres não podiam sequer ir aos estádios. Por isso, os atletas se apresentavam nus para que não houvesse uma ‘infiltrada’. Nas Olimpíadas modernas, a primeira modalidade que entrou foi a greco-romano e depois se inseriu o estilo livre, mas as mulheres só puderam se dedicar a este estilo a partir de 2004; a greco-romana até hoje é vedada às atletas femininas, exemplificou Aline Silva ao tratar do machismo ainda persistente.

Por isso, o fato de a delegação brasileira, nas Olimpíadas de Tóquio 2020, realizada em 2021, ter sido composta por 50% de homens e 50% de mulheres, pela primeira vez em nossa história, é um avanço, mas ainda é preciso ir além, na opinião das atletas que integraram o debate no Festival. Para Aline Silva, o machismo ainda está muito presente, pois se espera ver uma atleta bonita na prática esportiva, ainda há essa questão estética, mas ela “está ali para lutar e vencer como qualquer outro atleta”, reafirmou.

A vida do empreendedor foi comparada à esportiva, repleta de desafios, derrotas e vitórias. Para Aline, trata-se de um mix das duas atividades. Segundo ela, é preciso encontrar algo que faça sentido pessoal, não que sirva apenas ao outro, mas um propósito no qual se pode ser bom e que se ame. O atleta que é campeão já caiu e perdeu muitas vezes, tem suas derrotas porque precisou aprender a se levantar, a aceitar o desafio, o que não é fácil, segundo abordou Aline Silva, e o esportista acaba se perguntando “o que estou fazendo da minha vida”. Muitos desistem antes. Ou seja, é acreditar no propostio, se desafiar todo dia e continuar enquanto a trajetória fizer sentido.

Para Glória de Paula, é preciso crescer no processo, aprender que mesmo na derrota se tira algo para ir em frente, e ter persistência em qualquer área, no esporte ou no empreendedorismo. “É cair, levantar e buscar o resultado final”. Mayra “Sheetara” Bueno completou que o atleta é atleta em tempo integral, não somente quando está na academia. É como um dono de empresa que é empresário 24 horas. Se a primeira pedra te fizer cair, você não é digno de estar no pódio. Nunca vi um campeão ter desistido”, ensinou.