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O Brasil precisa dinamizar o comércio exterior, diz Rubens Barbosa, presidente de honra do Copagrem

Em reunião na Fiesp, preparar a indústria e a sociedade para os próximos anos foi a temática dos tópicos apresentados para os conselheiros da cadeia produtiva do papel, gráfica e embalagem

Milena Nogueira, Agência Indusnet 

Na última reunião plenária deste ano do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta sexta-feira (3/12), foi eleita como pauta o Brasil em um mundo em transformação e o poder da comunicação na pandemia. A proposta era levar aos participantes um parâmetro atual sob a ótica da globalização, o que vem mudando com a pandemia e como a indústria brasileira deve se preparar para os anos que vem à frente.

Em novembro, o Copagrem fez uma homenagem ao presidente da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Paulo Skaf, que encerra sua gestão este ano, com uma réplica sua impressa em 3D – representando a cadeia produtiva do papel. Na mesma ocasião, Skaf condecorou o diretor titular do Copagrem, Levi Ceregato, recebendo o título de Comendador da Ordem do Mérito Industrial de São Paulo pelos relevantes serviços prestados à indústria e ao país, recebendo também o diploma e colar alusivos.

Ceregato fez uma observação na plenária sobre o ano de 2022: “O Brasil vai tomar novo rumo e os problemas serão superados com perseverança. O brasileiro tem energia e compaixão para enfrentá-los. Como acontece com os empresários brasileiros que geram emprego, impostos e mantém equilíbrio social, continuaremos acreditando no Brasil”, afirmou.

O Brasil em um mundo em transformação

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, e nomeado esta semana pelo presidente Paulo Skaf como presidente de honra do Copagrem, apresentou o panorama da China e dos Estados Unidos.

“A China, apesar de ter um regime político diferente, não está competindo ideologicamente e nem militarmente com os EUA. A disputa é na área tecnológica e econômica. Contudo, para os interesses americanos, a China é uma ameaça”, comentou. Barbosa relatou que teremos um movimento de cooperação entre os países nas próximas décadas. Recentemente, ainda na gestão de Donald Trump, houve uma assinatura de acordo no qual a China se compromete a importar produtos agrícolas norte-americanos, o que pode afetar o Brasil.

Por isso, o embaixador destacou alguns pontos que merecem atenção por parte do nosso país, tais como a questão ambiental e climática, no centro da preocupação de diversas nações, com o consequente impacto nas economias, atenção ao desmatamento ilegal e à possibilidade de desertificação de algumas áreas, como Mato Grosso e Pará, daqui a 30 ou 50 anos, transformando-se em savanas, não mais produtivas e afetando as gerações futuras.

Outra transformação, que acarretará forte mudança, é a revolução na comunicação e na inovação, principalmente, com o 5G e a Inteligência Artificial e seus impactos na vida de todos, incluindo empresas e países. Outra emergência a ser enfrentada é a desigualdade social e também a que existe entre os países. A pobreza, mais evidente hoje, requer mudanças a fim de diminuir essa diferença, em todas as áreas (desemprego, pobreza, fome). E em relação aos países, um exemplo complexo é a questão vacinal, com a necessidade ampliação de sua cobertura. Há um problema geopolítico, apontou o embaixador, e a China e os Estados Unidos estão realizando doações de doses a fim dirimir essa discrepância.

O Brasil deve exercer sua liderança na região pelo fato de ter mais de 70% da região. “Não existe mais separação entre o que ocorre no mundo e nos países. Não há fronteiras. A economia dos demais países repercute no país”, disse, referindo-se também às repercussões tecnológicas e de inovação, além do isolamento observado no âmbito do comércio exterior e das relações internacionais, com exceção do agronegócio, ponto positivo, como um dos principais produtores mundiais.

O que fazer para dinamizar o comércio exterior do Brasil?

De acordo com Barbosa, as empresas brasileiras enfrentam um problema, a competitividade, o que afeta a participação dos manufaturados no exterior, e a saída de empresas do território, o que afasta o país do fluxo dinâmico internacional.

Hoje o Brasil ocupa a 14ª posição no ranking de países que mais produzem e, no passado, esteve em 6º lugar, contextualizou o embaixador, alertando que a governança precisa estar atenta ao cenário internacional, pois o país se insere nesse mundo com grandes desafios a enfrentar: políticos, econômicos, empresariais, de mudanças climáticas, tecnológicas e de comércio exterior.

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Fotos: Karim Kahn/Fiesp

O poder da comunicação na pandemia

O jornalista Herótodo Barbeiro deu ênfase ao poder da comunicação na pandemia a fim de atualizar o Comitê sobre os mecanismos atuais de propagação de mensagem. Hoje qualquer pessoa pode ser um ‘jornalista’, “com a internet em mãos e o poder da propagação da comunicação, o indivíduo com um ínfimo conhecimento, ou não, escreve um texto e o disponibiliza nas redes”, disse.

Num cenário de pandemia com direito a polêmicas, Barbeiro conta que já tínhamos exemplos no passado. Em 1904, com a vacinação de Oswaldo Cruz contra a varíola, houve uma rebelião no Brasil, na época. O Congresso Nacional teve de criar um projeto para obrigar a população a se imunizar, porém, em meio a muita confusão e protestos, o projeto foi revogado. Isso aconteceu no começo do século XX e repercutiu nos jornais impressos, disse ele. “Hoje, temos o avanço da liberdade de expressão turbinado pela internet, qualquer pessoa pode falar, qualquer pessoa pode postar”, avaliou o jornalista. Barbeiro ponderou que “foram quebrados os oligopólios de comunicação no mundo, com milhões de emissores de um lado, milhões de emissores de outro, gerando, inclusive as ‘fake news’. Por fim, jornalista só tem uma coisa para vender: credibilidade. E se a perde, deixa de ter o apoio da população”, concluiu.


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