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O Brasil ainda é dependente de tecnologia estrangeira, afirmam especialistas

O país tem grande potencial de energias renováveis, mas precisa investir no desenvolvimento de tecnologias próprias

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

A participação das indústrias brasileiras em projetos de inovação na área energética ainda é pequena na opinião de Máximo Pompermayer, superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Maximo Pompermayer da Agência Nacional de Energia Elétrica

“Dos 2.431 projetos apresentados à Agência, apenas 62 (2,6%) foram de indústrias”, afirmou o especialista durante o painel  “Novas tecnologias de energia  e oportunidade para a indústria”, realizado nesta segunda-feira (06/08) no 13º Encontro de Energia da Fiesp.

O painel, coordenado por  Marcos Augusto do Nascimento, diretor do Deinfra/Fiesp, contou ainda com as participações de Fernando Vieira Castellões, gerente de Gás, Energia e Gás do Cenpes (centro de pesquisa da Petrobrás) e Raymundo Aragão, sócio administrador da consultoria Anima.

Cerca de 310 empresas brasileiras de energia (geração, distribuição e transmissão) investem em pesquisa e desenvolvimento.  A maioria dos projetos (27%) dessas empresas está relacionada a fontes alternativas de energia.

Tecnologia nacional

Apesar do seu grande potencial de geração de energias limpas, o Brasil ainda sofre com dependência de tecnologia estrangeira. Pompermayer  cita o exemplo da energia eólica: “Temos maior potencial eólico do mundo, temos mercado, temos recursos governamentais assegurados, mas não temos domínio tecnológico suficiente para projetar, desenvolver  e operar uma planta eólica com tecnologia nacional.”

Por outro lado, a produção científica brasileira é bem representativa (54% do total da América Latina). Esse fato, porém, ainda não reflete quantitativamente  em avanços tecnológicos. “Em 2008, o Brasil registrou 480 patentes (0,3% do mundo) e a China realizou 7.900 registros”, comentou Pompermayer.

Na opinião de Albert Melo, diretor do Cepel (centro de pesquisas da Eletrobras), um dos desafios para o Brasil é conseguir transformar as suas patentes em produtos reais, tarefa que depende bastante da participação das indústrias. “Temos que quebrar esse ciclo vicioso.”

Albert Melo também enfatizou a importância de se ter um ambiente e um marco regulatório favoráveis.  “Não existe desenvolvimento sustentável sem energia sustentável.” O primeiro passo, segundo o especialista, é conhecer os nossos recursos naturais e fazer um planejamento consistente.

Um dos projetos inovadores de geração energia elétrica  citado pelo diretor do Cepel é o novo conceito de Hidroeletricidade em Plataformas, que será aplicado na Usina Tapajós. O projeto  consiste em instalar, de maneira sustentável, uma usina hidrelétrica em áreas de conservação ambiental.