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Novo cenário mundial induz debate sobre o papel do Brasil nas relações comerciais

Rearranjo geopolítico oferece novas perspectivas para o país diante do novo contexto global

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

A evolução do comércio exterior no cenário global foi o principal tema da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, realizada nesta terça-feira (17/5) e dirigida pelo seu presidente, Jackson Schneider. Na ocasião, ele apresentou aos conselheiros a nova diretora de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Tatiana Prazeres, e afirmou que o Coscex e o Derex vão trabalhar de modo integrado.

Entre os assuntos debatidos na reunião estão o papel do Brasil no novo cenário mundial e o rearranjo das cadeias globais. “A pandemia estimulou políticas comerciais discricionárias, como o banimento de certas exportações pela União Europeia. E mais recentemente o conflito entre Rússia e Ucrânia aprofundou o reposicionamento das cadeias de valor e o debate sobre as políticas industriais”, pontuou Schneider.

Se ao longo dos últimos 70 anos o mundo experimentou ondas de multilateralismo, nas quais se formaram e consolidaram blocos como a Uniao Europeia e o Mercosul, bem como diversas parcerias envolvendo os países, os últimos cinco anos foram marcados pela inversão de sentido nas relações internacionais. Os EUA anunciaram a saída do Acordo de Associação Transpacífico, iniciaram uma guerra comercial com a China, e o Reino Unido deixou a União Europeia, para ficar em alguns exemplos.

“Vemos claramente que o processo de globalização baseado em comércio exterior se alterou rapidamente nos últimos anos. A estratégia de desenvolvimento chinês parece depender menos de sua integração comercial e das cadeias globais”, disse o presidente do Coscex.

Outro fator a ser analisado é o uso de medidas menos convencionais de defesa comercial, que segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC) registrou aumento de 75% no total de investigações e de 55% no total de medidas de salvaguardas globais notificadas. Além disso, temas como mudança climática e biodiversidade são cada vez mais relevantes nas mesas de negociação. São muito importantes, mas não podem ser utilizados como barreira protecionista.

“O Brasil tem avançado em instrumentos modernos de normatização econômica. Aderiu a instrumentos normativos e de liberalização de capitais, bem como redução de burocracia e combate à corrupção. Temos temas relevantes na agenda, como a proteção ao meio ambiente a gestão de resíduos sólidos, o licenciamento e monitoramento ambiental”, enfatizou Schneider.

Segundo o superintendente do Derex, Antonio Carlos Costa, o principal objetivo do departamento é contribuir para o aumento da competitividade internacional da indústria brasileira e aumentar o valor agregado das exportações. “E vamos fazer isso ao integrar as atividades do Derex e do Coscex, otimizando as ações do corpo técnico existente”, explicou.

Para isso, foram delineadas ações de curto, médio e longo prazos a serem desenvolvidas entre 2022 e 2025. Para cada vertical de trabalho definida pelo Conselho serão identificados interlocutores para execução de cada uma das prioridades elencadas no plano de trabalho. Costa detalhou os níveis de planejamento divididos em três pilares: Estratégico, para longo prazo; Tático, para médio prazo; e o Operacional, de curto prazo, o que envolve a adoção de métodos, processos e sistemas.

Dentro do quesito Tributário e Regulatório, alguns dos objetivos são trabalhar pela desoneração das exportações, trazendo mais racionalidade para a estrutura tributária. No eixo Política Comercial, a ampliação da integração comercial brasileira e ações de fomento às exportações são alguns dos itens.

A melhora da imagem do Brasil, a capacitação de empresas para a exportação e a internacionalização de empresas fazem parte do pilar de Promoção Comercial. Investimento e financiamento para exportação são outras matrizes de ação que vão orientar o trabalho do departamento.

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Rearranjo geopolítico oferece novas perspectivas para o país diante do novo contexto global. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp