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Novembro azul: detecção precoce do câncer de próstata salva vidas

Fiesp promove live no Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata com especialista a fim de dirimir dúvidas e desconstruir mitos

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O câncer da próstata pode ter uma evolução silenciosa, mas é uma doença que, detectada precocemente, aponta para um prognóstico positivo. Sem sintomas claros, alguns sinais começam a aparecer de modo tardio, quando 95% dos tumores já se encontram em fase avançada, dificultando o processo de tratamento e cura.

Para esclarecer o tema e derrubar mitos, a Fiesp promoveu a live Novembro Azul, no Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17/11), voltada à prevenção desse tipo câncer com Bruno Benigno, médico urologista nos Centros de Urologia e Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Mais de 65 mil casos são detectados a cada ano e, nos últimos 5 anos, houve acréscimo de 10% na taxa de mortalidade, ou seja, um quadro que poderia ser controlado e reduzido ao se lembrar que a chance de cura é de 90% quando diagnosticado antecipadamente. Trata-se do segundo câncer mais frequente e afeta um a cada sete homens; um diagnóstico é feito a cada sete minutos; um óbito ocorre a cada 40 minutos; e 20% dos diagnósticos indicam estágio avançado e 95% deles sem sintomas.

No diagnóstico médico, há fatores a serem levados em consideração, tais como idade, raça – o câncer de próstata afeta mais os homens de raça negra e os de idade mais avançada –, histórico familiar com alteração nos genes BRCA 1 e 2, além de fatores como obesidade e hábitos alimentares inadequados. 

Esse câncer está relacionado ao envelhecimento masculino, mas pode acometer também os jovens, um ponto de atenção que poderá impactar a vida futura. Portanto, quem tem mutação desses genes na família deve iniciar o acompanhamento a partir dos 40 anos, os homens negros, aos 45, os demais a partir dos 50 e com mais frequência a partir dos 65 anos. “Estatisticamente a etnia importa”, frisou o urologista.

O especialista explicou o que é o PSA, qual sua função e por que ele se altera: “o PSA é um antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata, presente inclusive no líquido seminal”. Quanto maior o PSA, maior o risco de câncer e, por isso, é importante elucidar os mitos existentes em torno do exame de toque retal.

A biópsia é importante e pode indicar um quadro de prostatite, atrofia, hiperplasia, glândulas atípicas e também o câncer. A agressividade depende do laudo e da análise e se e como ele se disseminou. O médico indicou que a biópsia é indicada para quem está com o PSA elevado, acima de 10 e com toque alterado.

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Em termos de detecção do quadro de disseminação, são indicados exames como ressonância magnética, cintilografia e pet de PSMA. E, entre os tratamentos, a vigilância ativa, quando nada mais preocupante foi detectado, a cirurgia (aberta, por videolaparoscopia e robótica), radioterapia e terapia focal (que dispensa cirurgia local, mas se encontra em fase de pesquisa), e o dr. Benigno esclareceu que o tratamento tem evoluído muito nos últimos tempos. Os grandes temores masculinos quanto ao tratamento envolvem incontinência urinária e disfunção erétil, uma possibilidade que nem sempre ocorre e reversível ao longo do tempo, na maioria dos casos, segundo esclareceu.

Como prevenção, o especialista indica a prática constante de exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada, evitando-se alimentos ricos em gordura saturada e o consumo excessivo de carne, além de diminuir a quantidade de sal e condimentos. E, ainda, praticar sexo seguro, cuidar da saúde mental e da qualidade do sono, evitar o tabagismo e a obesidade e, claro, realizar periodicamente os exames, elencou, entre as recomendações preventivas. Em sua opinião, qualidade de vida é uma tríade: qualidade do sono, alimentação e atividade física.

Para Benigno, é preciso aumentar o acesso ao serviço público de saúde para a detecção precoce. No Brasil, 20% dos casos se encontram nos estados mais pobres e 45% têm diagnóstico de câncer de próstata avançado, quando esse índice se encontra em 5% nos países avançados, uma disparidade que pode e deve ser superada.

No Youtube da Fiesp, você pode assistir a íntegra dessa live.