imagem google

No encerramento do Festival de Empreendedorismo, debateu-se a reconexão com os espaços físicos pós-pandemia

As cidades precisam ter perfil mais resiliente, inclusive em função das mudanças climáticas. O open banking também foi avaliado

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

No encerramento do Festival do Empreendedorismo da Fiesp, realizado nos dias 10 e 11 de agosto, rolou um talking lounge, com as diretoras do Comitê de Jovens Empreendedoras (CJE), Elisabeth Romero, Carla Falcão, Luiza Junqueira, Ingrid Barth. No final, houve a apresentação da Bachiana Filarmônica do Sesi-SP, com o maestro João Carlos Martins, um presente para os participantes do Festival e todos que o acompanharam on-line nesses dois dias de evento.

Petrina Santos, gestora ambiental, abriu o evento detalhando a expressão mundo Vuca, sigla do Fórum Econômico Mundial, que, em português, seria algo como mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo no qual vivemos. “O que é hoje pode não ser mais amanhã em função da tecnologia”, enfatizou. Há a ambiguidade presente e é preciso cuidar da qualidade da informação diante do cenário atual. “Se criamos isso, também precisamos endereçar soluções à altura, mas que são janelas de oportunidade para trazer progresso para o mundo no qual vivemos em pleno século XXI”, argumentou Petrina Santos que ainda apontou que estamos revendo nossa relação com os espaços e que sustentabilidade é palavra-chave.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1632856694


Para Luiza Junqueira, diretora do CJE, a reconexão começou dentro de casa, em função da pandemia, com a família e os pets, e isso contribuiu para o nosso estado mental. Ela avaliou o impacto do micro, da nossa moradia, até o urbano de fato, com a reocupação dos espaços físicos das empresas – que têm ‘enxugado’ suas áreas físicas – e a necessidade de se ter percepção de segurança, em áreas públicas, em espaços abertos, e o convívio com modelos híbridos, futuramente.

O fato é um gancho frente às mudanças climáticas, e os mais sofrem são os mais vulneráveis, os que estão nas bordas. “Quando se pensa no urbano, é o urbano com qualidade para todos. Também se fala muito nas cidades resilientes e como elas se adaptam a possíveis impactos e reduzir esses danos de forma rápida para que as pessoas retomem sua rotina. Ela lembrou que há várias cidades do mundo que passam por qualificação e por readaptação, no momento, inclusive no contexto dos Ojetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Luiza Junqueira ainda frisou a influência hoje nas áreas residenciais, especialmente, de se preocupar com o bem-estar, tema engajado pelo setor imobiliário. Nos corporativos, apesar da migração para modelos híbridos, em função do home office, os ‘espaços de encontro’ devem ser preservados, pois o contato humano e o afeto são essenciais, e, ainda, há o surgimento de profissões novas, como o profissional de bem-estar dentro das organizações, e alinhar o discurso à prática.

Para Petrina, ao ser mulher empreendedora e jovem, em muitos ambientes masculinos e com diferença geracional enorme, como foi o caso dela, se requer trabalhar a autolegitimidade e a autoestima. “A autoconstrução é um caminho, perceber como se manter e se permite ser mulher em todas as esferas e diferentes espaços, ensinou.

Ingrid Barth, diretora do CJE, especialista em finanças, e à frente do Linker, banco digital para Pessoas Jurídicas, comentou que o empreendedorismo ainda tem grandes desafios em relação à oferta de serviços financeiros e da burocracia existente. Por isso se constrói um sistema financeiro digital com melhores custos a fim de se democratizar o acesso ao crédito e às linhas financeiras. O sistema de open banking é outro ponto de apoio às startups, em sua avaliação.

Para Barth, não há inovação sem diversidade. É preciso se contar com times diversos para construir soluções diversas e tudo isso utilizando a tecnologia como base, concluiu a diretora do CJE, no encerramento do Festival de Empreendedorismo da Fiesp.