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No ambiente empresarial, debate sobre a influência das mulheres no mundo dos negócios

A contribuição das mulheres é indispensável à economia global e cada vez mais é percebida como estratégia potencial

Alex de Souza e Tássia Almeida, Agência Indusnet Fiesp

Diante de um salão nobre repleto para o seminário “A influência das mulheres no mundo dos negócios”, o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, anunciou a criação imediata do Conselho Superior de Mulheres com o objetivo de ser um espaço de discussões e ações permanentes. “A diversidade é essencial para o progresso do país e a sociedade precisa da força das mulheres. O exemplo vale mais do que palavras. Por isso, queremos montar um grupo feminino que possa pensar e debater o Brasil, o que será feito pelo Conselho Superior de Mulheres, que acaba de ser instituído”, afirmou Skaf, explicando que os membros desse novo Conselho serão designados posteriormente.

A abertura também contou com a presença do 2º diretor financeiro da Fiesp, Sylvio de Barros, que destacou a importância da equidade no âmbito empresarial e lembrou que o conceito deveria ser premissa básica e natural em toda a sociedade. Em seguida, passou a palavra para a empresária Luiza Trajano, integrante do Conselho Superior Estratégico da Fiesp e presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, que elencou práticas de sucesso e defendeu a igualdade entre gêneros.

Ela afirmou que antigamente as empresas se importavam apenas com o resultado final, sem se preocupar se seus colaboradores estavam felizes. Mas hoje, para que uma empresa seja bem-sucedida, é essencial considerar os aspectos sociais do negócio. Ao falar sobre a ocupação de posições de chefia nas empresas foi conciliadora: “Não podemos ser contra o homem, mas juntar esforços para mudar esse cenário. E eu acredito na força da união de homens e mulheres. É claro que há muito menos mulheres que homens em cargos de liderança nas empresas, mas isso pode mudar rapidamente”, afirmou.

“Embora muita gente torça o nariz para essa política, até mesmo mulheres, sou totalmente a favor de cota, que nada mais é que um processo transitório para acertar as desigualdades. Sem isso, vai levar 110 anos para que haja igualdade entre homens e mulheres em Conselhos de Administração”, disse Trajano, citando estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Por fim, a empresária destacou diversas ações para valorização das mulheres, como o cheque-mãe, uma espécie de auxílio-educação, o programa de carreira para mulheres e as campanhas de conscientização sobre a violência contra elas.

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A empresária Luiza Trajano, integrante do Conselho Superior Estratégico da Fiesp e presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, apresentou práticas de sucesso e defendeu a igualdade entre gêneros. Foto: Karim Kahn/Fiesp

Na sequência, o CEO da Avon, José Vicente Marino, apresentou as práticas da empresa, seus conceitos e visão: “Nossa preocupação não é apenas com a beleza estética, mas proporcionar a beleza social. Se as mulheres se sentem mais bonitas, elas espalham essa beleza e se tornam bem-sucedidas em tudo o que fazem, e as empresas onde trabalham também progridem e contribuem para uma sociedade melhor”.

Depois de sua fala, Marino e Skaf assinaram o documento Coalisão Empresarial, pelo fim da violência contra mulheres. O objetivo da carta é mobilizar lideranças do setor privado para garantir o compromisso voluntário em relação à causa.

Força econômica: as mulheres decidem 2/3 das compras de produtos e serviços e gastam quatro vezes mais que os homens

A contribuição das mulheres é indispensável à economia global e cada vez mais é percebida como uma estratégia potencial no mundo dos negócios. Ana Célia Biondi, CEO da JCDecaux, destacou dois fatos importantes relativos à mulher no mercado de trabalho. “Primeiro, os números são alarmantes. São poucas em conselhos, cargos de direção e ainda temos as diferenças salariais, isso é um fato. O segundo é que, quando existem mulheres em cargos de direção, o resultado da empresa é 47% melhor”, disse. Biondi ainda destacou que 54% dos colaboradores no escritório paulista da JCDecaux são mulheres, mas elas ainda são poucas na área de operação. A empresa tem programas fortes sobre assédio moral e sexual.

Ana pontuou que a empresa de mídia digital alcança cerca de 40 milhões de pessoas por dia e isso reforça a responsabilidade de jogar luz em temas importantes como a exploração sexual, destaque na campanha #menornão que a JCDecaux desenvolveu em parceria com o Instituto Liberta.

Gabriela Manssur, promotora de Justiça, destacou que 51% das mulheres estão no mercado de trabalho e que 30% sofrem violência doméstica. Para ela, é imprescindível defender o engajamento das empresas no combate à violência contra a mulher. “Cada mulher que sofre violência doméstica custa R$ 2.500 para o Estado”, disse, e acrescentou que 80% dos líderes nos setores público e privado são homens. Portanto, engajá-los nas pautas femininas é fundamental para que criem oportunidades para as mulheres estarem em cargos de liderança.

Adriana Carvalho, gerente dos Princípios do Empoderamento Econômico e Coordenadora no Brasil do Programa Ganha-Ganha de Igualdade de Gênero, finalizou o encontro com dados relevantes sobre a mulher e igualdade de gênero. De acordo com ela, as empresas que têm pelo menos uma mulher em Conselho de Administração e 15 em liderança, são mais lucrativas e saudáveis, com maior capacidade para inovar e ser mais competitiva. Sobre investir na igualdade de gênero, ela disse que além de ser o mais certo, é o mais inteligente também. “Municípios brasileiros com menos desigualdade social são os que têm maior crescimento do PIB”, completou.

“Empresa que recebe todo mundo de braços abertos, onde posso ser quem eu sou, é mais produtiva. Se eu sofro uma violência em casa e a empresa me acolhe, eu sou mais feliz lá dentro, gasto mais energia produzindo e sou mais eficiente”, disse. “As mulheres decidem dois terços das compras dos produtos e serviços e gastam quatro vezes mais que os homens. Quando aumento a renda das mulheres, aumento o consumo. Não faltam razões econômicas para debater sobre a mulher”, acrescentou a gerente.