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Nelson Leirner: “Sou um colecionador no sentido pleno”

Exposição apresenta uma versão densa e concisa dos 50 anos de produção do artista mais controverso da história da arte brasileira

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

“Sempre que leio uma crítica sobre o meu trabalho, a primeira palavra que aparece é irreverência. Como você vai fazer uma coisa sem humor?”, questionou o artista Nelson Leirner na noite desta segunda-feira (5), durante a abertura da exposição Nelson Leirner 2011-1961=50 anos, que reúne mais de 40 obras de sua autoria na Galeria de Arte do Sesi.

Cerca de 300 pessoas prestigiaram a abertura da mostra, entre elas a consultora de moda Costanza Pascolato e o rabino Henry Sobel, que teceu inúmeros elogios ao artista: “Tudo isto é uma revolução da arte. Ele está de parabéns”.

Admiradora do trabalho de Leirner, Carolina Marques ficou impressionada com as brincadeiras promovidas pelo artista na instalação Hobby, e disse que pretende trazer o filho para ver a exposição. “Tenho certeza que ele terá um olhar diferente do meu sobre cada obra”.

Colecionador compulsivo

Considerado um dos artistas mais controversos da história da arte brasileira, Nelson Leirner é um colecionador compulsivo, que recolhe objetos raros ou prosaicos com a propriedade de quem se interessa por fragmentos do espaço e do tempo. Em suas obras, usa objetos e imagens relacionadas à devoção religiosa e ao universo infantil com uma linguagem ideológica. Um exemplo é a obra Paulista Interativa (1984-2011).

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Exposição Nelson Leirner 2011-1961=50 anos reúne mais de 40 obras do artista

“Leirner junta no mesmo espaço tanques de guerra, bichinhos, bonecos de guerra e obras religiosas. Tudo pertence ao mesmo lugar. Tudo isso é forjado e feito por homens que carregam consigo os interesses, preconceitos e rancores. Ideias construídas de forma arbitrária pela nossa cultura e que entram nas nossas casas como se fossem objetos pacíficos e dóceis. Ele mostra que o nosso mundo não se pauta por um padrão só. O que existe é uma confusão, uma mescla destas diversas temporalidades, destes diversos interesses”, ressaltou Agnaldo Farias, curador da mostra.

Durante a escolha das obras, o artista presenteou o público com a exibição inédita da instalação Um, nenhum e cem mil, realizada ao longo dos últimos 15 anos. Conhecido como Hobby, o espaço reúne cerca de três mil ilustrações e cartões postais, sobrepostos com adesivos de personagens infantis.

A instalação conta com ilustrações de obras famosas de artistas renascentistas e os quadros Monalisa e a Última Ceia, de Leonardo da Vinci. “Gosto de colecionar. Sou um colecionador nato, e aqui reúno várias das minhas coleções”, confidenciou o Leirner.

“Nesta exposição o público verá uma trajetória de 50 anos que não se encerram, que continua em efervescente produção. Os visitantes vão se surpreender com o inusitado e o sórdido por trás daquilo que é familiar”, completou o curador. A mostra ficará em cartaz na Galeria de Arte do Sesi até o dia 6 de novembro, com entrada franca.

Serviço:
Exposição: Nelson Leirner 2011-1961=50 anos
Local: Galeria de Arte do Sesi – Av. Paulista, 1.313, metrô Trianon-Masp
Datas e horários: 6 de setembro a 6 de novembro de 2011 – segunda-feira, das 11h às 20h; terça a sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 19h
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406 / www.sesisp.org.br/centrocultural
Entrada: franca
Recomendação etária: Livre
Agendamento de grupos: (11) 3146-7396 – de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h