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Negócios sustentáveis são projetos de longo prazo, afirma diretor do Instituto Ethos

Para que haja assertividade, eles nascem como start ups e necessitam de novas modelagens, diz Henrique Lian

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Dificuldades sociais devem ser transformadas em negócios, afirmou o diretor de Relações Institucionais do Instituto Ethos, Henrique Lian, ao participar de encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na terça-feira (24/2),

“As empresas precisam transformar problemas sociais em negócios, pois sua natureza é a geração de valor econômico, social e ambiental e não filantropia”, afirmou durante reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp.

Durante o encontro, ele sugeriu a formulação de novos modelos de negócio a partir de princípios de sustentabilidade e reiterou que um negócio sustentável é lucrativo no tempo.

“O negócio sustentável é novo, nasce como start up e exige, portanto, nova modelagem”.

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Henrique Lian e o presidente do Cosema, Walter Lazzarini, em debate sobre negócios sustentáveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Insustentabilidade
Na avaliação de Lian, a atual situação de insustentabilidade nos negócios se reflete na dimensão econômica.

Ele afirmou ainda que novas tecnologias de geração de energia no Brasil, como a primeira geração dos biocombustíveis, são uma resposta positiva à sustentabilidade, mas que não foi transformada em competitiva.

Para o diretor do Instituto Ethos, a Rio 92 colocou a sustentabilidade novamente no centro das discussões, mas pouca coisa foi realizada em função do cenário geopolítico econômico mundial e a financeirização da economia.

Durante a Rio+20, em 2012, buscou-se, segundo Lian, um caminho para colocar em prática o aprendizado do encontro de 1992, mas ele afirmou que ainda é preciso avançar mais nessa agenda. Para o representante do Ethos os principais entraves são: insegurança jurídica, falta de marcos regulatórios claros, ausência de subsídios para essa nova economia que se desenha, em contraponto aos diversos incentivos concedidos ao velho modelo.

“Estamos numa fase de transição e a sustentabilidade empresarial percorre tradicionalmente três fases. A primeira delas é a da prevenção do risco social e ambiental a fim de minimizar a destruição de valor”, afirmou.

Na sequência, esses mesmos aspectos são aplicados à sua cadeia de valor e, depois, na fase de eficiência dos processos produtivos, o foco é reduzir o uso de água, de energia, de insumos, priorizando a mão de obra local devido ao menor custo de logística, cuja somatória resulta em maior lucratividade empresarial, segundo o especialista.

As duas primeiras fases – redução de risco e da eficiência – já foram cumpridas pelas maiores empresas e está em fase de implementação pelas médias e pequenas, afirmou o diretor.

Para encerrar sua participação, Henrique Lian apresentou exemplo de modelagem possível no setor de energia, segundo estudo realizado pelo Instituto Ethos.