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‘Nada é mais coerente do que investir no maior porto da América Latina’, diz prefeito de Santos em seminário na Fiesp

Paulo Alexandre Barbosa foi um dos convidados do evento Porto de Santos: Os impactos diretos na Competitividade da Indústria, realizado nesta quinta-feira (30/08)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O maior porto da América Latina foi alvo de debates nesta quinta-feira (30/08), no Seminário “Porto de Santos: Os impactos diretos na Competitividade da Indústria”, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento teve a presença do presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz Coelho, e de autoridades como o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, entre outros nomes.

Roriz destacou o trabalho da Fiesp em nome do aumento das exportações brasileiras. “Estamos agora com uma missão de 300 empresas que devem ir à China”, disse. “Nosso objetivo é agregar cada vez mais valor às exportações brasileiras”.

De acordo com ele, o fluxo comercial do Brasil perdeu muito com a crise econômica devido, principalmente, à redução de mais de 25% das exportações. “Esperamos US$ 56 bilhões de expectativa de saldo para a balança comercial brasileira esse ano, já devemos ter uma melhora”.

O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp lembrou que o Porto de Santos recebe o equivalente a um terço da balança comercial brasileira, com uma área de influência que vai até o Paraná e abrange 60% do PIB nacional.

Prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa afirmou que “nada é mais coerente do que investir no maior porto da América Latina nesse momento de necessidade de recuperar a economia”. “Enfrentamos um gargalo logístico”, disse. “Temos que debater dragagem, novos acessos, vários outros pontos”, explicou. “Precisamos discutir um novo modelo de gestão onde as soluções estejam mais próximas da realidade local”.

Secretário nacional de Portos do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Luiz Otávio Oliveira Campos citou como outro desafio nesse cenário a abertura de capital de uma empresa como o porto. “Nossa capacidade de gestão e investimento seria outra”, disse.

Desafios

Presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Alex Botelho de Oliva fez uma apresentação do terminal portuário e sua estrutura após a abertura do seminário.

“Vivemos um desafio permanente: o nosso dia começa às 6h e só termina às 6h da manhã do dia seguinte”, disse. “Todo minuto há um desafio a vencer”.

Oliva lembrou que “não existe porto sem município e município sem porto”.  “O porto chegou primeiro”, disse. “Precisamos de uma gestão alinhada e com foco no cidadão”, disse.

Segundo ele, a movimentação registrada no porto em 2016 foi de R$ 22 milhões negativos, com uma recuperação em 2017: R$ 44 milhões positivos. “Cheguei a ouvir que o porto não tinha que dar lucro”, afirmou. “Tem que dar lucro e esse resultado ser compartilhado, promovendo mais desenvolvimento para a sociedade brasileira”.

Desse modo, conforme Oliva, “o Porto de Santos está fazendo o seu dever de casa”. “Temos gestão, alinhamento do agendamento para evitar filas e manter um cronograma de chegada”.

Um cenário que poderia ser melhor administrado. “Precisamos de um investimento de R$ 5 bilhões em infraestrutura”, disse. “Temos que ter dragagem de manutenção, uma avenida perimetral, uma terceira linha ferroviária, melhorar o sistema portolog, o sistema hidroviário do porto e novos arrendamentos”.

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

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Roriz: “Nosso objetivo é agregar cada vez mais valor às exportações brasileiras”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ao abrir o painel Programas de melhorias dos acessos ao Porto de Santos, Luiz Augusto Camargo Ópice, diretor da Divisão de Logística e Transporte do Departamento de Infraestrutura do Ciesp, classificou como “uma vergonha o número de projetos para resolver um problema básico” [do porto de Santos]. “Entra governo e sai governo e não se resolve.” Não chega ao colapso, explicou, porque crises econômicas atingem o país quando o porto de Santos está no limite.

Fernando Simões Paes, diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), destacou que as concessionárias ligadas à entidade, que receberam concessões de ferrovias há 20 anos, investiram nesse período R$ 92 bilhões. VLi (por meio da FCA), Rumo e MRS vão fazer investimentos na Baixada Santista e nas linhas que chegam a ela, lembrou.

Houve aumento da carga movimentada no porto de Santos entre 2015 e 2017, e hoje 33,8% da carga chega a ele por ferrovias.

Cláudio Loureiro de Souza, presidente executivo do Centro Nacional de Navegação (Centronave), afirmou que os armadores ligados à entidade, fundada em 107, têm investimento conjunto de mais de R$ 160 bilhões. Os navios atuais são muito maiores que anos atrás, destacou. A dragagem é essencial, disse, e deveria ser permanente. “O canal hoje é um tormento.”

Por ano se deixam de carregar em Santos 500.000 contêineres pela perda de profundidade do canal. A solução sozinha desse problema representaria ganho de produtividade, afirmou Souza.

Também ressaltou que Santos, movimentando 40% do volume de contêineres no Brasil, é muito importante.

Há muito pouca troca de informação entre os diferentes agentes do porto de Santos. Falta integração, segundo o presidente do Centronave.

Rui Klein, diretor superintendente da Ecovias, destacou como obra importante o entroncamento da via Anchieta com a Cônego Domenico Rangoni, em 2014. Ainda persiste como grande gargalo a conexão entre a entrada de Santos e do porto à via Anchieta. A fase 1, que foi iniciada em abril deste ano e deve ser concluída em 2021, com 3 grandes viadutos, terá marginal exclusiva para acesso de caminhões ao porto. O projeto executivo e complementos da fase 2 serão apresentados ao governo, para que decida se ficará a cargo da Ecovias.

Ressaltou o projeto de ligação seca entre as margens direita e esquerda do porto de Santos. Foi proposto pela Ecovias como opção viável para ajudar o porto de Santos a aumentar sua capacidade operacional. O governo paulista decidiu criar uma matriz para avaliar opções e escolheu traçado que incluía túnel sob o canal, para contemplar carros de passeio e eventualmente dispensar a balsa. A Ecovias agora desenvolve novo projeto de ponte que também prevê absorver parte da demanda da balsa.

Luiz Otávio Oliveira Campos, Secretário Nacional de Portos – Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), pediu para ouvir a plateia em vez de fazer uma apresentação.

O papel do Senai-SP

Getúlio Rocha Junior, diretor da Escola Senai de Santos, fez a palestra Soluções Senai em Gestão e Tecnologias para o Setor Portuário. Desde 2012, por demanda da Fiesp – e porque os portos são vitais para a indústria – o Senai-SP tem em sua grade cursos ligados aos portos.

Em formação inicial e continuada já foram criados mais de 100 programas. E o Senai-SP está em fase de credenciamento junto à Marinha para acrescentar mais 59 cursos (Prepom).

Na aprendizagem industrial, que já passa de 11.000 matrículas, há cursos de operador de movimentação e armazenagem de cargas e de mecânico de manutenção de locomotivas e vagões.

O curso técnico de portos é destinado ao planejamento e execução de operações portuárias e retroportuárias. Já formou 196 alunos.

Na educação superior o Senai-SP criou curso diferenciado de pós-graduação, o MBA de Gestão Portuária, desenvolvido em conjunto com a holandesa Shipping and Transport College.

Os laboratórios criados para dar suporte aos cursos incluem simuladores de equipamentos portuários e uma mesa de operação e inteligência portuária. Há também um laboratório de planejamento e um de instalações elétricas em ambientes explosivos. Ainda oferece escola de operações subaquáticas.

Segundo, Rocha, até o fim do ano haverá um uplab de hardware, trazendo o porto para o ambiente de inovação da indústria. Em parceria com a Petrobras deve ser montado um simulador de guindaste offshore.

A eficiência de um porto está ligado a sua estrutura educacional, e é isso que o Senai-SP se propõe a fazer.

Encerramento

Ao encerrar o seminário, Julio Diaz, diretor titular adjunto do Departamento de Infraestrutura do Ciesp, detalhou o Observatório do Porto de Santos, apresentado no seminário de manhã por José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp.

Uma equipe técnica acompanhará atividades e movimentações, estatísticas e indicadores de ações do Porto de Santos, transformando Fiesp e Ciesp em grande gestor de informações. Consolidadas as informações existentes, haverá acompanhamento, proposição e cobrança de soluções.

Tem como objetivo criar um modelo de inovação inteligente, com a finalidade de reunir dados e informações já existentes, de forma regular e sistemática, para subsidiar o planejamento do porto, produzir e difundir conhecimento e prover informações estratégicas para a indústria brasileira.

Além do Observatório do Porto de Santos, a Fiesp e o Ciesp manterão grupo que se reunirá periodicamente para discutir o porto de Santos.