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Na Fiesp, Fernando Haddad defende a educação e o papel estratégico do Estado

Candidato do PT abriu série de encontros com candidatos ao governo de São Paulo

Alex de Souza e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, abriu, nesta quarta-feira (3/8), a série de encontros dos postulantes ao Palácio dos Bandeirantes para debater propostas com empresários na Fiesp. Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito da capital paulista, foi recebido pelo presidente da entidade, Josué Gomes da Silva, que, em sua exposição inicial, afirmou que a educação é prioridade para a indústria de São Paulo.

De acordo com ele, o Brasil irá a um patamar maior de crescimento econômico e inclusão social se for dado o devido valor ao tema. Josué citou os esforços do Sesi e do Senai de São Paulo para ajudar a melhorar a educação da rede pública paulista.

Na mesma linha, Haddad disse que a educação será forte ponto de atenção se for eleito. Em um Estado que detém 30% do PIB e produz 40% da ciência do Brasil, ter um dos piores níveis de investimento no Ensino Médio é algo que precisa mudar urgentemente, na avaliação do candidato: “É um desastre o que está acontecendo no país. Nosso professor anda de cabeça baixa e não tem tratamento digno. Justamente a categoria responsável pelo futuro das nossas crianças e de nossos jovens”, afirmou.

Para ele, é preciso liderança para sair da inércia. Haddad citou a necessidade de revitalizar o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e lembrou a importância do ProUni, que formou 3 milhões de brasileiros, concebido quando era ministro da Educação.

Haddad iniciou sua exposição discorrendo sobre o papel estratégico que o Estado tem para a sociedade e a importância do planejamento. “O Estado serve para planejar o que será feito com os recursos comuns que compõem o fundo público. Sem capacidade de planejar não é possível desenvolver coisa nenhuma: nem educação, nem infraestrutura, nem segurança ou saúde”, disse o candidato.

Para ele, a falta de planejamento é um ‘calcanhar de Aquiles’ não somente na esfera pública, como também na privada. “Para se discutir as necessidades que temos no país, o pressuposto básico é sair do estágio atual, gravíssimo, recuperar a capacidade de planejar investimentos e tornar claro para a sociedade, para o contribuinte, que o papel do Estado é redistributivo”, disse Haddad, para quem o planejamento é questão central para se governar.

Ele criticou o atraso nas obras do Estado dando como exemplos o Rodoanel, a Rodovia dos Tamoios, as linhas 6 e 17 do metrô da capital, pois são obras que datam cerca de 20 anos de seu início. “Estamos no pior patamar quantitativo e qualitativo do investimento do dinheiro público”, declarou. Quanto à infraestrutura, citou a defasagem existente nas áreas de transporte, comunicação, energia e saneamento. “Temos baixo nível de investimento, o menor dos últimos seis governos estaduais”, afirmou Haddad.


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Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp


A energia limpa também foi tema de debate. Para o candidato, a questão ambiental ‘coloca pressão enorme’ no país, em função do desmatamento da Amazônia e alteração do regime de chuvas, que pode levar a graves problemas sociais. Por isso, faz-se necessário estabelecer um pacto energético em São Paulo, na avaliação dele. Haddad defendeu ênfase na economia circular, sustentável, geradora de emprego, desenvolvimento e valor, com atenção aos resíduos sólidos.

A desindustrialização foi avaliada pelo candidato em duas camadas: a nacional, que sofre o impacto da guerra fiscal, agravada pelo fato de o ICMS dos estados ter sido reduzido; e a internacional, para a qual deve-se estabelecer um sistema de inovação a exemplo de outros países. E afirmou que a Desenvolve SP deve ter um papel menos ‘acanhado’. Haddad defendeu que a Sabesp não seja privatizada e frisou que o órgão tem instrumentos legais para realizar PPPs. Da mesma forma, ele acredita que o controle portuário não deve ser privatizado, de modo a manter-se a transparência e governança.

Em suas considerações finais, o candidato disse que  vê o futuro com otimismo e esperança: “A democracia deverá prevalecer, as eleições serão mantidas e o Brasil responde muito rápido aos estímulos corretos. Só precisamos de um novo horizonte e não errar mais uma vez”, afirmou.