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Na Expo Revestir, reunião do Deconcic debate sugestões para o próximo Construbusiness

Otimismo e enfoque nas soluções de problemas que afetam o setor devem dar o tom da próxima edição do evento, programada para novembro

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quinta-feira (13/03), o Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou a sua primeira reunião plenária do ano dentro da feira internacional da indústria de revestimentos cerâmicos para a construção – a Expo Revestir –, no Transamérica ExpoCenter, na capital paulista.

A reunião do Deconcic na Expo Revestir: tom de otimismo quanto aos rumos do setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reunião do Deconcic na Expo Revestir: tom de otimismo quanto aos rumos do setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

No encontro, o diretor titular do Deconcic, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, fez questão de destacar que  será de otimismo o tom do próximo Congresso Brasileiro da Construção (Construbusiness), programado para o mês de novembro deste ano.

Auricchio:  Brasil na segunda posição em produção e consumo de revestimento no mundo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Auricchio: Brasil na segunda posição em produção e consumo de revestimento no mundo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ele reforçou a importância dessa primeira reunião acontecer no espaço da feira de um segmento relevante dentro da cadeia produtiva da construção. “O Brasil ocupa a segunda posição em produção e consumo de revestimento no mercado mundial. Em 2012 foram produzidos 865 milhões de metros quadrados para uma capacidade 1 bilhão de metros quadrados.”

Para o diretor superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer), Antonio Carlos Kieling, os primeiros resultados colhidos na feira são motivadores. “O ano começou muito bem. O volume de exportação que estamos tendo aqui é inigualável. Tem empresa batendo metas já no primeiro dia de feira”, destacou.

Kieling: “O ano começou muito bem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kieling: “O ano começou muito bem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Por outro lado, o executivo da Anfacer, enfatizou que, em um mercado globalizado, é cada vez mais necessário se investir na marca de origem dos nossos produtos. “Não adianta o Brasil vender sua cerâmica se o país não for uma referência. Temos que investir, fortalecer o produto nacional, a marca nacional, a marca do produto brasileiro”, disse.

O diretor titular adjunto do Deconcic,  Manuel Carlos de Lima Rossitto, relembrou que a Copa do Mundo de 2002 foi uma oportunidade para a Coreia do Sul consolidar seus principais setores, empresas e marcas no mundo, dando o exemplo de marcas como Samsumg, Kia e outras que se destacaram deste então.

Agenda positiva para o próximo Construbusiness

Walter Cover, membro do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, criticou uma corrente de negativismo no mercado. “Parece que tem dois Brasis andando. Uns só olhando o copo meio vazio e outros olhando o copo cheio”, disse. “Precisamos tomar um pouco de cuidado em relação às críticas.”

Auricchio relembrou que, quando não há crescimento econômico, todas as ineficiências do sistema afloram e a percepção delas também. “Precisamos encontrar o equilíbrio daquilo que é o copo cheio e aquilo que é o copo vazio, como foi dito, para melhor se comunicar com o governo”, ponderou.

O diretor titular do Deconcic destacou que, diferentemente das edições anteriores, Construbusiness deste ano não será para levantar diagnósticos. “Isso já fizemos, e bem. O evento deverá enfocar as necessidades de cada elo da cadeia e mostrar que é possível realizar projetos maravilhosos em tempo considerável”.

Estímulo à industrialização

Maria Salette de Carvalho Weber, coordenadora do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) do Ministério das Cidades, avaliou algumas sugestões apresentadas e que deverão estar no foco do Construbusiness, pós-eleições.

Segundo ela, sempre se fala em desoneração como fórmula para estimular o setor. Porém, o ideal é que as propostas tragam reflexões sobre como estimular a industrialização. “Como o Brasil se moderniza? Como o governo pode estimular os setores a se modernizarem?”, questionou.

Como arquiteta de formação, ela defende que os projetos futuros tenham uma visão maior de urbanidade. “Temos que ter um salto de qualidade e ver a edificação não só do ponto de vista da unidade habitacional. O Brasil hoje está urbanizado. Temos que enfocar melhor essa integração, esse crescimento”, explicou. “E pensar como dar a verdadeira acessibilidade e mobilidade, avaliar como fica a infraestrutura dentro das cidades”.

Outras questões apontadas por Maria Salette como importantes serem discutidas no Contrubusiness são: sustentabilidade, a questão trabalhista, como melhorar a interpelação entre os próprios órgãos do governo e inovação.

Foram apresentadas, durante a reunião, as ações do Núcleo de Acompanhamentos Legislativos (NAL), uma nova área da Fiesp que faz análises dos projetos de lei federais e estaduais que possam afetar os diferentes setores da indústria.

José Luis Machado, do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP), também apresentou detalhes da feira ConstruBR, que acontecerá nos dias 23 e 24 de abril.

Avanços na qualificação da mão de obra

Abílio José Weber, diretor de uma escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), a unidade Orlando Laviero Ferraiuolo, mais conhecida como “Escola Senai-SP de Construção Civil”, no Tatuapé, na capital, apresentou os avanços recentes na qualificação profissional do setor, entre eles, o avanço de 300 horas na carga horária dos cursos de formação técnica, que possibilitou a revisão do plano de curso dessa formação. “Nós implementamos no curso de formação técnica em Edificações a formação na metodologia BIM [do inglês Building Information Modeling, Modelo de Informação para Construção] . Os alunos que iniciaram o curso em janeiro já estão sendo formados em BIM, na concepção plena do processo, do projeto até a demolição, com o auxílio do Ministério do Exército”.

Weber: reforço para a formação de mão de obra no setor a partir do trabalho do Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Weber: reforço para a formação de mão de obra no setor a partir do trabalho do Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O diretor da escola do Senai-SP afirmou que a entidade é destaque na Certificação de Pessoas. “A Escola de Construção Civil no Tatuapé é, no Brasil, a unidade do Senai que mais centros de certificação possui”.

Atualmente, o Senai-SP  já disponibiliza certificação para os seguintes profissionais: soldador de tubo de polietileno, eletricista instalador, instalador de piso laminado, instalador de piso cerâmico e  pintor imobiliário. “E estamos terminando as provas para certificação de instalador de aquecimento solar”, afirma Weber.

Outro avanço destacado por ele é a participação dos empresários nos Conselhos Consultivos do Senai, formados pelos representantes dos setores industriais. “O Senai-SP é a escola da indústria e, portanto, deve estar sempre próximo das necessidades do setor”.