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Momento de investir no Brasil é agora, diz Paulo Skaf a empresários japoneses

Presidente da Fiesp abriu encontro de comemoração dos 120 do Tratado da Amizade Brasil-Japão

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A crise política é o que mais atrapalha a atividade econômica do país, mas o Brasil deve superá-la no longo prazo, afirmou nesta quarta-feira (2/9) o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao seu reunir com empresários e autoridades do Japão.

“O momento de investir é agora. Quem investe não vê o mês ou o ano seguinte. Os investimentos são pensados no longo – no mínimo médio – prazo”, disse Skaf ao abrir o Seminário Econômico Brasil – Japão, na sede da Fiesp.

O encontro é uma das comemorações dos 120 anos do Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre as duas nações.

O presidente da Fiesp afirmou não ter dúvida ou insegurança com relação ao futuro do Brasil. “Temos uma grande agenda pela frente. E esta casa estará aberta de forma permanente para tudo que representa um maior entrosamento com o Japão”, disse Skaf.

Paulo Skaf em encontro com empresários japoneses na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Paulo Skaf em encontro com empresários japoneses na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Presente ao seminário, que reuniu mais de 300 empresários e autoridades brasileiras e japonesas, o embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda, afirmou que o momento de crise do parceiro sul-americano proporciona uma “oportunidade incomum para uma perspectiva de crescimento”.

“O Brasil tem todas as condições institucionais para superar a crise atual e rumar para um país ainda mais forte e livre de corrupção”, disse Umeda. “Outro ponto positivo que merece destaque é a incrível capacidade brasileira de superar desafios. A receita, os brasileiros já conhecem bem, agora é executá-la”, completou.

Inflação convergindo
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Afonso Arinos de Melo de Franco Neto, representou o ministro Joaquim Levy no seminário na Fiesp.

Ao falar sobre reformas estruturais do governo, Arinos afirmou que as taxas de inflação do país “estão, pouco a pouco, convergindo, o que demonstra o acerto da política monetária comandada pelo Banco Central”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic.

Instituições financeiras consultadas pelo BC esperam uma manutenção da Selic no atual patamar de 14,25% a ano. A Selic é o principal instrumento do banco para o controle da inflação.

Infraestrutura
O secretário da Fazenda também pediu aos japoneses investimentos em obras de infraestrutura anunciadas pelo Programa de Investimentos em Logística (PIL).

“Uma área que oferece imensas oportunidades para a participação japonesa é a logística. Investimentos em infraestrutura permitem reduzir os custos das exportações brasileiras no longo prazo”, disse Arinos, lembrando que 90% das importações japonesas de carne de frango e 60% das compras de suco de laranja são provenientes do Brasil.

Ele aproveitou a ocasião para pressionar pela retirada do embargo japonês à carne suína brasileira. “Precisamos avançar na abertura do mercado para exportações brasileiras”. O Japão mantém embargo ao produto brasileiro desde 2012.

Embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda, em seminário na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda, em seminário na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Temas preocupantes
Da parte japonesa, Koichi Yajima diretor-executivo do JBIC (Japan Bank for International Cooperation, banco de fomento do Japão), destacou alguns temas que preocupam empresas japonesas que desejam investir no Brasil.

Segundo uma pesquisa do JBIC, 45,9% das empresas japoneses acreditam que a instabilidade da segurança pública e social é o maior obstáculo para investir no Brasil, enquanto 31% acreditam ser a falta de clareza do sistema legal o maior impeditivo.

Ele ainda explicou por que o México passou o Brasil no ranking de países promissores para investimento japonês. Segundo um instituto do Japão, o México assumiu a sexta colocação, no lugar do Brasil, que ficou com o sétimo lugar.

“O México tem todo um trabalho de tratados econômicos com outros países. Quando se pensa em produção, esse é um ponto muito importante que o México conseguiu ultrapassar o Brasil”, disse Yajima.

O seminário na Fiesp foi conduzido pelo diretor do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Derex) da entidade, Thomaz Zanotto