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Modernização do acesso ao crédito é fator para o desenvolvimento do agronegócio

Representantes do mercado financeiro e do governo federal estiveram presentes para debater o tema

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, desta segunda-feira (7/10), presidido por Jacyr Costa, teve como pauta a modernização do crédito para o agronegócio brasileiro. Um dos convidados, José Angelo Mazzilo Junior, secretário adjunto de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, iniciou sua participação argumentando que é preciso mais recursos e menos custos para o produtor, além de contratação simples, segurança jurídica e estrutura de mercado, que possibilite quantificar o risco de crédito, com histórico de dados dos produtos.

A ação mais recente do governo nesse sentido foi a assinatura da Medida Provisória n. 897, que entre suas abordagens trata da modernização da Célula de Produto Rural (CPR) e permite a emissão desse título em dólar, sendo negociado por meio do mercado de capitais, em bolsas internacionais, diretamente no exterior. “Essa MP coloca na agenda referência cambial, referência da CPR e taxa de juros. Ela empodera o produtor. Como resultado, taxas mais baratas e acessíveis do que as praticadas hoje. É uma oportunidade para dar competitividade ao mercado. Nossa visão de futuro é a CPR podendo ser contratada por aplicativo no celular”, avaliou. Contudo, Mazzilo Junior destacou que será preciso fazer emendas à nova MP. “Queremos variação cambial para todos os títulos e produtos sem exceção. Temos que simplificar os registros e reduzir os custos ao máximo”, disse.

Também integrou a reunião Sergio Rial, presidente do Santander Brasil, que tratou sobre crédito privado e argumentou que a área financeira precisa ter entendimento da cadeia do agronegócio muito além do fluxo financeiro. “Caso contrário, não há a menor chance de operar de maneira competitiva.  Os bancos e as suas estruturas de modelos de riscos precisam entender que a safra é o que estabelece fluxo de caixa; não é o vencimento que o banco determina que o pagamento precisa ser feito”, afirmou.

Rial argumentou ainda que as instituições financeiras têm a obrigação de ser agentes de mudança da estrutura de pagamentos do agronegócio, oferecendo produtividade e velocidade. “Temos que desmaterializar essa parafernália de documentos que mantém um exército de pessoas, de complexidades que só geram custos. O mercado funciona quando existe o menor nível de assimetria de informações”.

Pensar no pequeno produtor agrícola é também fundamental, segundo Rial, e “as cooperativas têm o papel fundamental de fazer com que a cadeia do produtor continue vibrando”. Outro ponto abordado por Rial foi o seguro agrícola: “O problema está relacionado à tecnologia. Temos que ir para leilões eletrônicos, com seguradoras e banco podendo ofertar seus produtos eletronicamente”.

José Mendonça de Barros, sócio-fundador da consultoria MB Associados, também esteve presente ao evento e fez uma análise de cenário ao apontar desaceleração da economia mundial. “China e Estados Unidos estão desacelerando em parte por causa dessa guerra comercial”, pontuou.

Quanto ao Brasil, as reformas tratadas nesse governo podem fazer com que o país tenha condições de voltar a crescer. “Nossa previsão de PIB para este ano é de 0,9% e de 1,6% para 2020. Mas é preciso investimento em infraestrutura, senão não há melhora no mercado de trabalho e, consequentemente, da volta do mercado de consumo. Além disso, não vamos voltar a crescer se o crédito não ficar mais barato, democrático e acessível”, observou.

Por fim, Gilson Finkelsztain, presidente do Brasil Bolsa Balcão (B3), deu ênfase ao desenvolvimento do mercado de capitais e como os juros baixos têm sido colaborativos para o seu avanço. “Desde 2016, os juros vem caindo e, neste período, a Bolsa passou de 40 mil para 105 mil. Isso mostra só o início do que está acontecendo e vai acontecer no mercado de capitais, com a previsibilidade de que os juros continuem baixos”, observou.

Atualmente, há 400 empresas listadas na Bolsa e este número ainda é pequeno, pois “somente 11% da indústria de fundos de investimento está alocada em Bolsa. Difícil achar um país do mundo onde esse número seja menos de 40%. É o início de uma jornada longa”, detalhou.

No Brasil, a média dos valores de IPO ou follow está perto de US$ 6 milhões, enquanto a média global é de US$ 140 milhões. “A emissão de ações no mercado de capitais se tornará frequente por empresas médias. No Brasil, havia não um problema de oferta, mas de demanda. O investidor, com juros de 14% ao ano, tinha dúvida se aplicava em fundo, ficando assim sem estímulo para correr risco de crédito, muito menos risco de ações. Vemos que agora está faltando ativos”, avaliou Finkelsztain.

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Sergio Rial, presidente do Santander Brasil frisou que a área financeira precisa ter entendimento da cadeia do agronegócio além do simples fluxo financeiro. Foto: Karim Kahn/Fiesp