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Micros, pequenas e médias empresas e o desafio de acesso ao crédito

Na Fiesp, especialistas debatem linhas de crédito e a importância da Jornada de Transformação Digital lançada pela entidade

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

O aumento da Selic está criando stress para pequenas empresas mais endividadas e é preciso saber o porquê, ressaltou Luciano Coutinho, presidente do Conselho Superior da Micro, Pequena e Média Indústria (Compi) da Fiesp, em encontro realizado na quarta (29/6). Na pauta, temas como crédito, mercado de capitais e instrumentos de fomento. 

Renato Corona, superintendente do Decomtec e Dempi/Acelera, apresentou a evolução recente, desafios e propostas de crédito para as micros, pequenas e médias empresas (MPMEs) nos programas Pronampe, PEAC, Pese e Capital de Giro. Na opinião dele, a principal taxa de vínculo no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) é a Selic, que tem subido fortemente, quase 212% em relação a junho do ano passado. 

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Para tratar da Contribuição do Desenvolve SP, e como vem funcionando o financiamento à Jornada de Transformação Digital – programa de digitalização das empresas concebido por Fiesp, Senai-SP e Sebrae-SP – o Compi convidou o superintendente de Desenvolvimento de Negócios e Tecnologia da instituição, Gabriel Aidar, para fazer uma exposição. 

Conforme esclareceu Aidar, o Desenvolve SP atua em 61% do Estado de São Paulo. Os números financeiros mostram que, no ano de 2020, o programa desempenhou o maior desembolso de sua história, com mais de R$ 1 bilhão em créditos liberados no primeiro ano da pandemia [de Covid-19]. “A indústria é o segundo setor na carteira de créditos e 91,5% dela são direcionados às MPMEs. O capital de giro é o tipo de crédito mais procurado”, pontuou. As linhas de crédito oferecidas pelo Desenvolve SP, que financiam o capital de giro são: BNDES Pequenas Empresas e Giro Micro e Pequenas Empresas. 

Também no portifólio do Desenvolve SP há linhas de crédito voltadas ao financiamento de projetos, máquinas e equipamentos que promovem a redução de emissões de gases de efeito estufa, a geração de energias renováveis e a eficiência energética, tais como LEV, BNDES Fundo Clima e BNDES Finame Baixo Carbono. 

O Desenvolve SP é importante fonte de financiamento para a inovação e modernização do setor privado paulista, assim como é o principal repassador de linhas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no Estado, repassador de linhas BNDES (Finame 4.0 e Serviços 4.0) e de linhas próprias para projetos de inovação. 

 No âmbito das MPMEs, existe a linha Digitaliza SP. As beneficiárias devem ter passado pela Jornada de Transformação Digital e devem apresentar proposta já aprovada por consultor Senai-SP. A instituição emitirá um Termo de Anuência para as empresas que comprovarem a aquisição dos bens descritos no projeto aprovado. 

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Fotos: Everton Amaro/Fiesp

Ainda sobre inovação, a reunião do Conselho da Fiesp contou com a participação do superintendente da área de Inovação da Finep e também conselheiro do Compi, William Rospendowski, com foco no financiamento de longo prazo para inovação e ações em andamento. 

Rospendowski discorreu sobre o momento oportuno para a retomada do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) de R$ 4,5 bilhões não reembolsáveis, para o investimento direto (faturamento acima de R$ 20 milhões, aporte de R$ 25-50 milhões), condições atrativas pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) com ausência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), assim como para a ampliação do crédito descentralizado (novos agentes e limite até R$ 300 milhões de faturamento). Momento também de recorde no crédito direto, 70 dias para assinatura, como uma das oportunidades apontadas. 

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O lançamento da Jornada da Transformação Digital foi realizado na Fiesp no dia 8 de maio para atender a todo o Estado e uma unidade móvel cumpre agenda em várias cidades. O Road Show passou primeiro por Rio Claro e nesta sexta (1º/7) está em Botucatu. Ainda em julho passará por São José dos Campos e Indaiatuba. 

Coutinho sugeriu montar um pequeno manual prático para a Jornada Digital a fim de facilitar a compreensão para as empresas: “Precisamos oferecer algo mais completo para todas as linhas de crédito, uma cartilha atualizada. Além disso, elaborar um treinamento entre os sistemas Ciesp, Senai e Sebrae. Nesse sentido, estaria na adesão e cumprimento dos planos para mostrar que tem consistência. 

Acesse o manual de financiamento disponível no site da Fiesp neste link. 

BNDES

Seguindo esse viés de facilitação para o empresário, Tiago Peroba, chefe do Departamento de Clientes e Relacionamento Institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), citou as soluções oferecidas pelo banco, como Finame Máquinas 4.0 e Serviços 4.0. 

Peroba destacou que o Banco está redesenhando o produto da década de 2000, o cartão BNDES, desenvolvido para financiar os investimentos das MPMEs e dos empresários individuais, inclusive microempreendedores individuais (MEIs), que facilitou a vida do empresário brasileiro à época. 

O produto, no entanto, decaiu nos últimos anos por conta da elevada inadimplência. “Além da falta de pagamento, tem o fato de não poder ajustar o spread de risco, o que acaba deixando de fora empresas mais suscetíveis a ele”, disse o expositor. 

Por outro lado, no BNDES on-line existem mais de 99% em processos digitais. Trata-se de um sistema desenvolvido em linha com as soluções digitais em implementação pelo BNDES, com o objetivo de se tornar a plataforma única para o envio das solicitações de financiamento pelas Instituições Financeiras Credenciadas, utilizando-se de tecnologia de comunicação máquina a máquina, por meio da integração dos seus sistemas de forma automatizada aos do BNDES, o que permite, principalmente, ganhos de eficiência, celeridade e segurança às transações, de acordo com Peroba. 

“A esteira ágil de crédito, que compreende todas as etapas para a concessão do apoio financeiro, trouxe algumas empresas a escolher o cartão BNDES. Porém, a demanda está forte e a oferta, baixa. Precisamos reverter isso”, pontuou Peroba, em sua conclusão.