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Michel Temer defenderá propostas da indústria e das lideranças sindicais

No encerramento do Seminário Brasil do Diálogo, vice-presidente deu seu apoio ao documento entregue ao governo federal

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O vice-presidente da República, Michel Temer, recebeu bem o documento Brasil do Diálogo, da Produção e do Emprego – Acordo entre trabalhadores e empresários pelo futuro da produção e emprego, entregue pela Fiesp e centrais sindicais  ao final do encontro realizado nesta quinta-feira (26/05) no Moinho Santo Antonio, Mooca, zona leste de São Paulo.

O esforço empreendido em diversas reuniões anteriores a este evento histórico resultou na consolidação de uma proposta conjunta que colhe saldos positivos.

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O vice-presidente Michel Temer recebe de Artur Henrique da Silva Santos (CUT), Paulo Skaf (Fiesp) e Paulo Pereira da Silva (Força Sindical) o documento com propostas elaboradas por empresários e lideranças sindicais

Temer foi enfático ao dizer que as sugestões deste pacto social, formatado pelo setor produtivo em parceria com representantes dos trabalhadores, serão encaminhadas às áreas governamentais competentes, a fim de permitir a industrialização.

“Deverão ser tomadas medidas quanto às importações para prestigiar a indústria nacional”, adiantou, assumindo o compromisso de promover um encontro o mais breve possível entre as partes envolvidas com a presidente Dilma Rousseff, se possível no prazo de uma semana.

Reivindicações da indústria e dos sindicatos

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, pediu uma estratégia para o País: “O Brasil precisa enquadrar a China, os Estados Unidos e o Mercosul em defesa de seus interesses que são nacionais”, argumentou na abertura do seminário.

Por sua vez, Artur Henrique da Silva Santos (presidente da CUT) e Paulo Pereira da Silva (da Força Sindical) apontaram a necessidade de desonerar a folha de pagamento e criar formas de contribuição a fim de garantir a Previdência Social.

Ao longo desta quinta-feira (26), no encontro com a Fiesp, CUT, Central Sindical e Sindicatos de SP e do ABC, o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, havia antecipado a intenção de o governo federal reduzir impostos para a indústria.

Medidas anunciadas pelo governo

A disposição de diminuir impostos foi confirmada por Temer, pois a redução ativa de tributos é uma das metas da presidente Dilma. Outra medida benéfica anunciada no seminário é que o governo lançará, em junho, a nova Política de Desenvolvimento da Competitividade, em substituição à antiga Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

A nova política contemplará uma defesa comercial que reponha, dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), a condição competitiva da indústria nacional ameaçada por práticas desleais e licenças não-automáticas de importação nos setores onde há clara ameaça à balança comercial.

Diante da reivindicação de Paulo Skaf de desoneração de 20% do INSS sobre a folha de pagamento, o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, garantiu que esta medida está em estudo e deverá ser contemplada no pacote, assim como a desoneração sobre os bens de capital. “Temos pressa. A importação de manufaturados está aceleradíssima e de uma forma injusta. Estamos com a nossa competitividade roubada”, taxou Skaf.

A questão China

O ministro Pimentel reconheceu que a indústria de transformação é o segmento da economia mais afetado pelas condições externas, mas disse que o câmbio sobrevalorizado é uma “equação sem solução no curto prazo”. Ele também demonstrou preocupação com a China e a indústria brasileira de manufaturas, que deixa de gerar 3,5 milhões de empregos, segundo a Fiesp, por conta da avalanche de importações.

Esse avanço dos importados inquieta igualmente a classe trabalhadora, que defende a qualificação do emprego no Brasil. Para Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, “as importações trazem embutidos os empregos lá de fora. Quanto custa um desempregado? Quanto custa o atraso tecnológico? É o preço de não se produzir no País, isso tem que entrar na conta”, resumiu o sindicalista.

“O que falta ao empresário brasileiro é investir em inovação. A indústria de tecnologia de informação precisa formar pelo menos 70 mil profissionais, com domínio do inglês, para atender a demanda do setor”, completou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Câmbio

Para o ex-ministro da Fazenda e professor emérito da FGV, Luiz Carlos Bresser Pereira, “taxa de câmbio baixa interessa apenas ao investidor estrangeiro”. “Se os outros países podem trabalhar com uma taxa de juro civilizada, por que o nosso não?”, provocou Amir Khair, engenheiro e mestre em finanças públicas pela EASP/FGV e consultor nas áreas fiscal, orçamentária e tributária.

Na avaliação de Khair, o Brasil desperdiça cerca de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) com o pagamento de juros. Países ricos pagam, em média, 1,7%. Nós estamos jogando dinheiro fora”.