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Melhora do emprego passa pelo aumento da atividade econômica, afirma ex-ministro Indalécio Gomes Neto

Reforma Trabalhista foi tema de debates em reunião na Fiesp que reuniu especialistas

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

Tema que voltou ao debate em 2022, a Reforma Trabalhista norteou as discussões da reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort) da Fiesp, realizada na terça-feira (5/4) com a condução da presidente Maria Cristina Mattioli, que classificou a Reforma como de extrema relevância, por envolver a indústria e outros setores da economia. “A legislação deve se adequar às mudanças econômicas e qualquer alteração será um retrocesso. Propomos a reformulação do Conselho, para sermos mais atuantes, e trouxemos conosco os principais sindicatos e setores econômicos. Estudar com profundidade a Reforma Trabalhista é primeiro passo para dar efetividade aos propósitos do Cort”, disse a presidente Mattioli.

Entendimento similar tem o ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto, para quem a reforma deve ser aprofundada, não revista. “Ela é uma antiga aspiração de empregadores e empregados, fruto da iniciativa de adaptar o que fosse possível ao mundo do trabalho atual”, disse o conselheiro do Cort.

A construção do consenso coletivo não é fácil. E no caso específico da Reforma Trabalhista, para o ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Indalécio Gomes Neto, a modernização não teve o objetivo de prejudicar a classe trabalhadora, mas buscar o equilíbrio necessário entre as partes. “Precisamos considerar que a melhora das condições de trabalho e da vida dos trabalhadores passa pelo aumento da produtividade. Com empresas mais produtivas e lucrativas criam-se melhores condições para os trabalhadores”, defendeu. “O aumento da atividade econômica é que vai gerar riquezas e mais emprego.”

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Reunião do Cort debateu a Reforma Trabalhista. Fotos: Everton Amaro/Fiesp

Indalécio Gomes Neto ilustrou sua tese citando a Argentina. “Foi um país muito rico até a década de 1950, que não perdia em desenvolvimento para o Canadá e até mesmo para os Estados Unidos, com elevado nível educacional. Um exemplo para os seus vizinhos de como o desenvolvimento de uma nação é benéfico a todos”, observou. De lá para cá, disse, as políticas de populistas demagogos, com o discurso de sempre, de exterminar a pobreza e distribuir renda, gradativamente trouxe o efeito contrário. “Vimos o aumento da pobreza e a concentração de renda entre os mais ricos, que é uma triste verdade”.

Outro ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho e conselheiro do Cort, Vantuil Abdala, concorda que o que faz a distribuição de renda é o progresso, não a Justiça do Trabalho. “Talvez, algum ponto da Reforma possa ser revisto, mas não passará pelo Congresso [Nacional] qualquer proposta que vise derrubar tudo o que foi feito, até porque a cada dia que passa a sua importância passa a ser mais reconhecida”.

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Mattioli: Estudar com profundidade a Reforma Trabalhista é o primeiro passo para dar efetividade aos propósitos do Cort