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Manutenção é essencial como estratégia para se evitar incêndios, especialmente em momento de pandemia

Alertas importantes foram feitos em workshop de sistemas prediais 360º, uma iniciativa da Fiesp. Prevenção é fundamental para residências, prédios comercias, instalações industriais, bem como hospitais

Alex de Souza e Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Assista ao workshop sistemas prediais 360º, na íntegra, neste link.

“O objetivo é demonstrar a importância do cumprimento das regulamentações de prevenção e combate a incêndio nas edificações a fim de resguardar vidas e patrimônios”, contextualizou Carlos Trombini, diretor do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Fiesp, na abertura de evento transmitido pelo YouTube da entidade sobre sistemas prediais 360º: segurança contra incêndios. Trombini também coordena o Grupo de Trabalho (GT) sobre Segurança e Sistemas Prediais da Federação, composto por 28 entidades do setor.

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Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Luiz Alberto Rodrigues da Silva, coronel comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, frisou o trabalho diário que se realiza na área de segurança, que envolve análise de projetos, vistoria de edificações e de áreas de risco. Para ele, há três pontos essenciais a serem observados: ter consciência da importância do sistema de segurança; que existindo esse sistema, o sinistro não ocorra, mas, se ocorrer, que os equipamentos tenham sido bem instalados e se possa rapidamente mitigar o risco; e, por fim, que os equipamentos sejam manejados por pessoas que saibam utilizá-los.

Rogério Lin, Presidente da Associação Brasileira de Proteção Passiva (ABPP) e superintendente do Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndios (ABNT/CB-024), pontuou que geralmente se tenta identificar a causa do sinistro, mas o principal é esquecido: as medidas ativas e passivas do sistema de segurança a fim de se prevenir o pior, pois são eles que vão assegurar a preservação de vidas e, se ocorrer um incêndio, permitir que seja possível se escapar com segurança da edificação. Isso demanda manutenção constante e preventiva, obediência às normas e dimensionamento correto da carga, por exemplo.

Lin reportou que os incêndios recentes podem ter ocorrido pela manutenção ter sido colocada em segundo plano, e isso leva a um risco potencial de incêndio com mais vítimas. Na realidade, há edificações sem sistema de segurança e sem o mínimo previsto pela regulamentação. Ele também frisou que o estímulo às melhores práticas é essencial, além de se valorizar o trabalho executado por profissionais da área, incluindo o dos bombeiros.

Incêndios gerados por componentes das instalações elétricas das edificações foi o tema tratado pelo engenheiro Edson Martinho, diretor executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), que lembrou do recente incêndio da Cinemateca, ocorrido no início do mês, além do ocorrido no alojamento do Flamengo e no Hospital Badim, ambos no Rio de Janeiro, em 2019.

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Martinho pontuou diversas formas pelas quais ocorre um incêndio, um curto-circuito, por exemplo, que encontra um caminho para se propagar, um ar-condicionado muito usado no verão, ou um aquecedor, no inverno. E acrescentou a importância de condutores de boa qualidade, conexões bem feitas e dimensionadas, verificação e manutenção preventiva e projeto executado por profissional qualificado e habilitado.

Outro fator importante é efetuar a verificação da instalação elétrica, em residências, a cada 5 anos, em imóveis comerciais a cada 3, nos industriais, anualmente. Mais um ponto de atenção diz respeito à sobrecarga em benjamins e extensões, bem como filtros de linha, ao se plugar diversos equipamentos ao mesmo tempo, fato mais comum agora quando as pessoas precisaram se adaptar rapidamente ao teletrabalho.

Martinho também frisou os incêndios registrados em hospitais, devido à pandemia, com o aumento súbito do uso de equipamentos em função da emergência vivida, mas pequenas ações poderiam ter sido tomadas para minimizar isso, pois geralmente os incidentes se iniciam com excesso de carga no projeto.

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O engenheiro Martinho complementou sua apresentação com dados dos incêndios ocorridos por sobrecarga de energia (curto-circuito) e não fatais (2013-2020) e suas tipologias, onde ocorrem. E, ainda, dados com fatalidade: foram 260 casos com 23 mortes, em 2020, sendo a maioria crianças, e que se dão em residências e apartamentos, mas também ocorreram em indústrias de pequeno porte e no comércio.

É essencial conhecer e obedecer às normas

Segurança contra incêndios em Edificações Assistenciais de Saúde foi o tema abordado pelo capitão PM Felipe Pinheiro Duarte, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, que lembrou aos presentas que no site da instituição existem informações sobre as normativas. “Todas as medidas de prevenção contra incêndio são importantes e não podem ser desprezadas, especialmente quando falamos sobre hospitais, o que impacta diretamente o atendimento e salvamento de vidas”.

Ele também ressaltou a necessidade de criar áreas de refúgio dentro de hospitais, sempre com o auxílio de pessoas capacitadas, de modo a otimizar o combate ao incêndio e preservar vidas . “Empregar pessoas capacitadas é essencial para evitar acidentes e incêndios, ainda mais em hospitais, onde a mobilidade das pessoas está reduzida”, e destacou como maiores inconformidades as portas e os selos corta-fogo.

No entendimento do vice-presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de São Paulo, Wagner Luiz Baratella, que falou aos participantes sobre a adequação de edificações existentes às regulamentações, “não cumprir as normas técnicas é crime”. O engenheiro afirmou que ao não cumprir as regras assume-se um risco, o que significa estar consciente do resultado.

“Dizer que uma norma técnica não precisa ser observada é uma sandice ou estupidez”, disparou, ressaltando a importância de se observar as exigências básicas, principalmente para edificações que ainda não possuem um sistema de segurança e combate a incêndio.

Por fim, a diretora da Associação Brasileira da Sprinklers, Diana de Araújo, mencionou a necessidade de realizar inspeção, teste e manutenção de sistemas de sprinklers. Para ela, a certificação é essencial para a segurança das instalações e “não adianta ter bom projeto instalação e certificado se não houver a inspeção técnica dos sistemas e testes e manutenção”

Diana explicou ainda que no site da Associação existe um manual que pode ser baixado com informações sobre as medidas mínimas de inspeção, testes e manutenção de sistemas de sprinklers, bem como orientações sobre seu uso em situações de incêndios. 

Acompanhe todas as apresentações nestes links: 

Palestra 1 workshop 360 Abracopel

Palestra 2 workshop 360 Hospitais

Palestra 3 workshop 360 Adequação de Edificações Existentes, Regulamentações e Combate a Incêndios – RE. V01

Palestra 4 workshop 360 Fiesp ITM