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Live debate obrigatoriedade para novos condomínios que devem oferecer soluções para carregamento de veículos elétricos

A Lei Municipal 17.336/2020  passou a vigorar no dia 30 de março deste ano. Estudo da CPFL indica que até o ano de 2030 serão 1 milhão e 800 mil veículos elétricos no país

Mariana Soraes, Agência Indusnet Fiesp

O debate acerca dos desafios para a expansão do uso dos carros elétricos e dos seus benefícios para a sociedade e para o meio ambiente ganhou ainda mais força com a implementação da Lei Municipal 17.336/2020, que passou a vigorar no dia 30 de março deste ano. A legislação determina a obrigatoriedade da previsão de solução para carregamento de veículos elétricos em condomínios residenciais e comerciais, na cidade de São Paulo. Pensando em trazer à tona as perspectivas e os impactos gerados com a efetivação da norma, a Fiesp realizou reunião on-line, na última terça-feira (20/4), com especialistas e autoridades do setor. 

O encontro virtual foi conduzido pelo diretor do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), da Fiesp, Carlos Trombini, que também coordena o Grupo de Trabalho sobre Segurança e Sistemas Prediais.

O presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip), Milton Gomes, esclareceu que a legislação começa a valer pra edifícios que tenham seus projetos protocolados a partir deste mês de abril. “Reuniões como esta são importantes porque precisamos conhecer e nos preparar para vencermos os desafios que serão apresentados ao setor. A ideia é descobrir as tecnologias que existem no mercado para resolver as questões que existem até então e as que irão surgir”, explicou. 

Um veículo 100% elétrico é um carro que usa eletricidade armazenada na bateria para alimentar o motor elétrico e tracionar as rodas. Entre os seus benefícios, a não geração de gás carbônico e um funcionamento silencioso, sem poluição sonora.

Em um veículo movido à combustão, o que é utilizado para o seu abastecimento são combustíveis fósseis como a gasolina, etanol ou diesel. Outro ponto importante é a eficiência do motor elétrico, que supera o percentual de 95%. Nos motores movidos à combustão, tal percentagem chega a 30%.

Agregado aos fatores climáticos e ambientais, os aspectos listados dão motivos de sobra para priorizar o uso dos veículos elétricos. Até 2030, o país deverá ter 80 mil estações de carregamento de veículos elétricos. Atualmente, temos mil eletropostos disponíveis no Brasil.

Sobre o tema, Evandro Mendes, CEO da Electricus, apresentou as tendências, os desafios e alguns caminhos viáveis para a universalização dos veículos elétricos nos próximos anos. Entre os principais contratempos já observados para a plena execução da norma, a dificuldade de entendimento das distribuidoras de energia e também dos administradores dos condomínios residenciais e comerciais. 

“Os carregadores que deverão ser implantados nos edifícios não são um investimento barato. É preciso estudar a melhor gestão desses custos e como se dará a cobrança, o rateio desta energia. Um outro ponto que precisará ser analisado é onde dispor deste carregador. Uma mão de obra qualificada e a ausência de padronização das instalações elétricas também serão assuntos relevantes durante todo o processo”, completou. 

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Um estudo da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) indicou que até o ano de 2030 serão 1 milhão e 800 mil veículos elétricos no país. Hoje em dia, este número chega a 3 mil carros alimentados a motores elétricos.

Rafael Cunha, CEO da move Eletromobilidade, alertou para uma preocupação importante: a futura adaptação dos edifícios de alto padrão construídos nas décadas de 80 e 90. A adequação dos imóveis não está determinada na lei, mas tais condomínios já começam a apresentar a demanda. 

Cunha mostrou boas e novas possibilidades no que diz respeito a recargas inteligentes dos automóveis elétricos. O uso de aplicativos instalados em celulares é uma tecnologia que pode ajudar o motorista a identificar onde é possível encontrar o eletroposto mais próximo, saber se está disponível para uso e até mesmo reservá-lo. “Pelo aparelho telefônico, o usuário consegue acompanhar quanto tempo de recarga e o total de energia consumida”, apresentou. 

O aplicativo pode ser muito útil também para os administradores dos condomínios, que irão dispor de uma plataforma central com emissão de relatório por usuário. “Será possível enxergar quanto cada um gastou, contabilizar esta energia e enviar a despesa de forma individualizada. Tudo isso facilita a gestão desse recurso e a execução da lei”, garantiu. 

Carlos Trombini ressaltou o fato de que o Brasil é um dos países que mais gera energia sustentável e renovável do mundo. Ainda de acordo com ele, a nação deverá superar os desafios apresentados pelos especialistas o mais rápido possível. “Tenho convicção que a nossa engenharia elétrica e as demais, que vão acompanhar essa infraestrutura toda do país, conseguirão ultrapassar essas barreiras”, realçou. 

Acesse aqui a apresentação do CEO da move Eletromobilidade, Rafael Cunha

Acesse aqui a apresentação do CEO da Electricus, Evandro Mendes

Clique para assistir a íntegra da live.