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Linhas de financiamento e mercado de créditos de carbono são temas centrais para o agronegócio

A agenda ESG é outro pilar para o crescimento do setor, conforme debate realizado no Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Linhas de financiamento para o agronegócio, o mercado de créditos de carbono e a adoção de uma metodologia eficiente para incorporá-lo foram temas centrais da reunião desta segunda-feira (4/4) do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

O diretor de crédito produtivo e socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bruno Aranha, falou sobre as linhas de financiamento existentes na instituição. Discorreu sobre os quase 40 anos de trabalho do banco com temas socioambientais, tendo em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, a promoção de transição para uma economia neutra de carbono e a ampliação das práticas internas de ESG (sigla em inglês para boas práticas sociais, ambientais e de governança).

Há cinco compromissos prioritários: contribuir para dar acesso a quem mais precisa de serviços básicos; ajudar a gerar oportunidade de trabalho e apoiar o empreendedorismo; apoiar a ampliação da infraestrutura e indústria sustentáveis; contribuir para ampliar o uso de energias renováveis; e a preservação e restauração de parques e florestas. “Estamos abrindo o leque de possibilidades e captação de recursos internacionais”, disse Aranha.

No quesito recursos, há articulação com stakeholders estratégicos com três fundos, o Amazônia, o Clima e o Socioambiental. E captações ativas da ordem de US$ 3,2 bilhões junto a organismos multilaterais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“O pilar tradicional é de crédito e garantia, mas temos agenda de serviços, sendo o banco estruturador de projetos com agenda relevante em saneamento, florestas e resíduos sólidos, entre outros setores”, explicou Aranha. “Há recursos não reembolsáveis, com cunho social, educacional, voltado à saúde, emprego e renda e agenda de carbono”, disse ele, ressaltando que a ampliação de portfólio de soluções ESG está no centro da estratégia do BNDES.

Ao lembrar que o Brasil é líder nas principais cadeias agroindustriais, Aranha frisou que há oportunidade para o aumento da produtividade, redução de custos, melhoria da qualidade/sanidade/valor adicionado dos produtos e redução dos impactos ambientais. A avaliação é relevante, pois há maior exigência de qualidade e sustentabilidade, considerando que a população mundial crescerá 17% até 2050 e a produção global de alimentos crescerá mais de 20% até 2035. O Brasil será responsável por boa parte do crescimento da oferta futura de alimentos, segundo ele.

Uma das alternativas apontadas por Aranha é apostar no biogás. Há potencial para multiplicar por 40 a produção atual. O agronegócio tem capacidade de geração superior a 30% da demanda de eletricidade ou substituição de até 65% do consumo de diesel.

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Reunião do Cosag, presidida por Jacyr Costa, com os convidados Carolina Learth e Pedro Barros Barreto Fernandes. Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp


O presidente do Cosag, Jacyr Costa Filho, lembrou que o governo federal lançou os programas nacional de fertilizantes e de incentivo ao biogás e biometano, sendo importante o BNDES trabalhar como fomentador dessas iniciativas, além de outras já em curso, como o Renovabio e bioinsumos. Para ele, é fundamental atuar com celeridade em favor desses programas.

Controle e melhores práticas

Em sua exposição, Carolina Learth, head de Sustentabilidade do Santander, dividiu a experiência de mais de 20 anos de sustentabilidade do banco europeu. “A Amazônia é um tema para a gente crescer em termos de cultura sustentável e produção extrativista”, afirmou. “Em toda a carteira de financiamento, o agro tem papel importante. E se criará produtos, linhas e serviços para isso”, pontuou.

Segundo ela, o ESG no agronegócio envolve a melhor gestão do capital natural, mas se pode ir além em termos de reflorestamento e produção de carne e leite com carbono zero – e trazer isso para o rótulo. É importante ainda ser indutor de melhores práticas sociais e de saúde, além de cuidar da governança e da boa gestão do negócio, da fazenda. Em sua análise, o desafio será a adoção de metodologia para calcular créditos de carbono até para se poder acessar esse mercado e não tolerar o desmatamento ilegal.

Já Pedro Barros Barreto Fernandes, diretor de Agronegócios do ItaúBBA, destacou a mudança significativa do papel desempenhado pelas empresas quanto à sustentabilidade em função de maior exigência de clientes, colaboradores, lideranças, investidores e governos.

Ele explicou que o conceito de sustentabilidade evoluiu da compensação de débitos para a equalização de débitos e créditos e, hoje, para a criação de créditos. Para ele, o corebusiness do negócio deve ser usado para atuar também em problemas que ameacem a perenidade do mundo e os temas ESG devem ser olhados com perspectivas diferentes, de risco, mas também de oportunidade. Nesse último quesito, inclusive, de inclusão de minorias na cadeia de fornecedores.

Fernandes tratou do financiamento de setores de impacto positivo, com o compromisso de contribuir com R$ 400 bilhões para o desenvolvimento sustentável até 2050 em negócios cada vez mais verdes e inclusivos. Desse total, até agora, R$ 180 bilhões já foram alocados para este fim.