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Juros, emaranhado tributário e falta de estratégia afetam comércio internacional brasileiro

Coscex recebe economista da FGV para debate conduzido por Rubens Barbosa

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A fim de analisar e debater as estratégias de comércio internacional desenvolvidas pelo Brasil nos últimos anos, o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) recebeu nesta terça-feira (21 de março) a economista Lia Valls, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em mesa liderada pelo presidente do Coscex, Rubens Barbosa, Lia destacou a posição do país no comércio mundial, sua evolução e desempenho recentes, além de suas perspectivas de curto prazo. Fatores como políticas tarifárias, produtividade e ambiente de negócios locais têm puxado o país para baixo em rankings internacionais, de acordo com ela.

A economista enfatizou ainda os reflexos da presença da China e seus planos de internacionalização de empresas. “Como a gente (Brasil) muda a agenda chinesa de comércio de mercadorias para uma agenda de investimentos? Como alavancar essas parcerias deve ser uma questão”, afirmou. Ela vê com otimismo um crescimento de pelo menos 6% da China no futuro.

Barbosa, por sua vez, lembrou que mais do que o Brasil se reinserir nas negociações internacionais, o país deve ter uma estratégia clara.

“Não adianta a gente querer fazer acordos com o mundo inteiro, sem objetivos e temas prioritários”, afirmou. Além disso, de acordo com o embaixador, o Brasil deve examinar seriamente a questão da reforma tributária.

Produtividade x competitividade

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, foi enfático ao afirmar que muitos críticos erram ao dizer que o principal entrave da indústria brasileira está relacionado à sua capacidade produtiva. “Os economistas brasileiros trazem soluções dos anos 60 e 70, há uma defasagem enorme”, afirmou.

Mesmo fora do país, as instituições têm tido dificuldades de acompanhar os avanços tecnológicos industriais com a rapidez necessária, segundo Zanotto.

“Há uma confusão muito grande entre produtividade e competitividade, que me preocupa muito. O que tira a competitividade do Brasil são os juros altos, um crime de lesa-pátria”, completou.

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Lia Valls, Rubens Barbosa e Thomaz Zanotto durante reunião do Coscex. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp