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José Dumont, um defensor da arte e do Brasil

Ator homenageado do VIII Prêmio Fiesp/Sesi-SP do Cinema Paulista fala sobre sua história e defende as manifestações artísticas como parte da educação no país

Agência Indusnet Fiesp

Um dos atores mais onipresentes no cinema e da teledramaturgia brasileira, com dezenas de filmes e novelas realizados ao longo da carreira, José Dumont foi o grande homenageado no VIII Prêmio Fiesp/Sesi-SP do Cinema Paulista. Durante a cerimônia, na quarta-feira (02/05), Dumont recebeu o troféu pelo reconhecimento de suas atuações em produções cinematográficas rodadas no Estado de São Paulo.

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O ator José Dumont: "Minha história está muito ligada ao cinema de São Paulo"

“Minha história está muito ligada ao cinema de São Paulo. Talvez os filmes mais significativos que fiz na vida foram produções paulistas como O Homem que Virou SucoNarradores de Javé, A Hora da Estrela, Kenoma, ou seja, São Paulo me permitiu ter uma história”, afirmou Dumont, que brilhou também em produções na TV, como na minissérie Grande Sertão: Veredas e na novela Pantanal.

Nascido em Bananeiras (PB), o ator relembrou um de seus primeiros empregos em São Paulo – “fui carteiro nessa grande cidade” – e destacou que o setor precisa de parcerias como a do Sesi-SP. “É algo que me emociona o fato de o prêmio vir do Sesi-SP – uma instituição como essa ajudando e produzindo a arte é uma necessidade. Acho mesmo que deveria fazer parte do currículo escolar para que criássemos uma geração mais bem formada, com alcance humano maior.”

Na opinião de Dumont, o incentivo à arte passa pala questão tributária. “Defendo a mudança na tributação, uma revisão nos impostos, e acho que o Brasil está caminhando para isso. E nós somos parceiros, uma força auxiliar do governo. A arte é fundamental na vida de um país, sem ela não há nada, seja no campo espiritual, no campo das relações, até no campo do consumo ela existe.”

Ele expressou ainda seu apoio às causas defendidas pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf. “Endosso as palavras do presidente Skaf, que enfatiza o quanto é importante uma reforma fiscal no Brasil para que se possa produzir e ganhar mais, tanto o empregador como o trabalhador.”


Carreira

Desde 1977, quando estreou no cinema em Morte e Vida Severina, José Dumont, de 61 anos, participou de 44 filmes e em outras 26 produções na TV. No cinema, destacam-se as produções Abril Despedaçado (2001), Olga (2004), 2 filhos de Francisco (2005) e Kenoma (1998). Na TV, Dumont trabalhou em minisséries como Padre Cícero (1984 – Rede Globo) e Grande Sertão: Veredas (1985 – Rede Globo); em novelas, Pantanal (1990 – TV Manchete), Terra Nostra (1999-Rede Globo) e América (2005 – Rede Globo), entre muitas outras.

Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios de melhor ator: três vezes o Troféu Candango, do Festival de Brasília (1998, por Kenoma; 1985, por A Hora da Estrela; 1980, por O Homem que Virou Suco); três Kikitos de Ouro, do Festival de Gramado (1984, por O Baiano Fantasma; 1981, por O Homem que Virou Suco; 1980, por Gaijin – Os Caminhos da Liberdade) e um Troféu APCA, da Academia Paulista dos Críticos de Arte (1999, por Kenoma).

Outros prêmios internacionais completam a lista: Festival de Havana, em Cuba (1980, por O Baiano Fantasma) e Festival do Cinema Brasileiro em Miami (1999, por Kenoma). Em 2005 teve sua vida biografada no livro José Dumont – Do Cordel às Telas, escrito por Klecius Henrique. Lançada do festival de cinema de Gramado (RS), a obra traz curiosidades como o sobrenome “afrancesado” pelo cartorário em seu registro de nascimento: seu pai se chamava Severino do Monte. Revela também que o ator aprendeu a ler com livretos de cordel vendidos em mercados e feiras típicos do Nordeste, que retratam fatos do cotidiano e episódios históricos.