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Inovação nem sempre requer alta tecnologia, mas pesquisa e desenvolvimento são requisitos fundamentais

A inovação pode se dar de forma incremental ou radical, segundo opinou docente da USP, Mario Sergio Salerno

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A inovação sempre envolve tecnologia? Como fazer a sua gestão? Essa e outras perguntas foram respondidas pelo prof. Mario Sergio Salerno, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), no último encontro do ano do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, presidido por Elias Miguel Haddad, em videoconferência realizada nesta terça-feira (8/12).

De acordo com o docente, a inovação nem sempre envolve alta tecnologia e as empresas procuram se reinventar para capturar mais valor para o seu negócio. “As empresas que contam com pesquisa e desenvolvimento (P&D) constante, têm melhor perfil inovador”, avaliou, acrescentando que a inovação pode se dar no produto, no processo ou até mesmo em sua logística.

As empresas estabelecidas têm papel fundamental na inovação estratégica, radical. E observou que as startups também introduzem inovações estratégicas, mas não têm o monopólio delas. A inovação começa como uma cópia inteligente, melhor do que a versão atual do concorrente, mas com mudanças de atributos, funcionalidades, design. Entre seus objetivos, a redução de custo, de preço, ou uma pequena diferenciação por atributos, como um produto anti-mancha, anti-odor, impermeável respirante, exemplificou o professor.


Há dois tipos de mundo em termos de inovação, conforme pontuou na apresentação. Um deles é o incremental: as necessidades dos clientes são conhecidas, é preciso desenvolver mercado, as tecnologias são maduras e conta-se com trajetória bem definida, atuando com as cadeias de valor existentes, pois mudanças geram custos.

O segundo tipo é a inovação radical, na qual as necessidades dos clientes são difusas e é preciso criar mercado; as tecnologias são emergentes, podendo-se realizar integrações de diversos tipos, mais o desenvolvimento e coordenação de novas cadeias de valor. A inovação radical produz alguma coisa nova para a empresa e é preciso gerenciar as incertezas que vão surgindo ao longo do processo, e existem técnicas para isso, alertou Salerno.

“Uma empresa não vive muito tempo por mero acaso. Há uma forma de gerenciar as várias áreas”, afirmou, referindo-se ao ecossistema próprio da empresa. Ele também abordou os graus de maturidade do sistema de gestão da inovação. Salerno observou que a inovação não tem correlação direta e necessária com as startups, “porque uma start up é boa para empreender, ela não tem muito a perder. Uma empresa grande tem que se preocupar com seus ativos”, avaliou, “mas elas são boas para introduzir inovações estratégicas”, concluiu.