imagem google

Indústria se mobiliza para recuperar setor ferroviário

Ciesp e Fiesp debatem ampliação do transporte de carga sobre trilhos nesta quarta-feira (19), com governo estadual e concessionárias

Agência Indusnet Fiesp 

O Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp) reunirão, na quarta-feira (19), os principais agentes do setor ferroviário para discutir a recuperação e a ampliação da malha de trilhos, que representa 25% da matriz de transportes no Brasil.

Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, o transporte de cargas sobre trilhos chega a 46%. Outros países do Bric também saem na frente: na Índia, as ferrovias participam com 49% da movimentação de carga, taxa que atinge 81% na Rússia.

A competitividade é fator importante quando se fala em ferrovia. Para o diretor de infraestrutura do Ciesp, Julio Diaz, o transporte ferroviário pode ser até 30% mais barato que o rodoviário em alguns trechos.

“É um grande ganho de custo. É preciso que as operadoras percebam e analisem melhor a capacidade de demanda, como uma política de governo, porque os investimentos baixarão sensivelmente os custos das indústrias. E isso significa aumento de competitividade internacional e controle da inflação, porque o frete é reflexo direto no preço”, avalia Diaz.

O Ciesp e a Fiesp trarão para o 7° Seminário sobre Ferrovias o Secretário dos Transportes, Mauro Arce; o Secretário de Desenvolvimento, Luciano Almeida e operadores ferroviários para o debate com as indústrias, que garantem que há demanda suficiente para justificar investimentos no setor. Entre 1997 e 2009, após a privatização das operações, as concessionárias investiram mais de R$ 20 bilhões, enquanto o governo federal investiu pouco mais de R$ 1 bilhão nesse período.

Recuperar o atraso

Com aproximadamente 29 mil quilômetros de extensão, o setor ferroviário registra melhorias consideráveis de desempenho e produtividade desde a sua privatização, mas ainda insuficientes. O atendimento é limitado: 75% da carga transportada é de minério de ferro e carvão mineral.

Mas esse quadro pode ser melhorado com investimentos na recuperação das linhas já existentes, e extensões de ramais que atendam pequenas demandas. O ramal de Cajati, por exemplo, que liga o Vale do Ribeira ao Porto de Santos, foi abandonado por vários anos e agora ensaia sua reativação, já em andamento, atendendo a um pleito antigo do Ciesp/Fiesp.

“As concessionárias diziam que não tinha demanda. Fizemos, então, um trabalho local para mostrar que há volume suficiente para viabilizar esse projeto”, afirma Julio Diaz.

“Faltam estudos mais apurados para constatar que existe retorno em outras regiões, como a sucroalcooleira, de Piracicaba até Ribeirão Preto, e também a Grande Araraquara, produtora de suco de laranja. A recuperação das linhas já representaria um avanço muito grande no estado”, prossegue.

Transporte integrado

Além do atraso nos investimentos, o diretor lembra que o modelo de concessão realizado na época apresentava imperfeições, e impôs algumas limitações que persistem até hoje. Algumas delas:

  • A velocidade média é baixa, em torno de 30km/h, enquanto a média mundial é de 70km/h;
  • Baixa utilização da malha: pouco mais de 11 mil km com movimentação de carga com pelo menos uma viagem por dia;
  • Contornos em áreas urbanas;

Dificuldades de acesso aos portos brasileiros: somente 15% da carga destinada a Santos vai por ferrovia.

A baixa integração intermodal também é um dos entraves, mas objeto de uma segunda etapa de investimentos, na avaliação de Julio Diaz. Segundo ele, a ferrovia pode comportar grandes volumes de carga, de todos os tipos, desde que integrada a outros modais – rodoviário e até mesmo o hidroviário.

“Um vagão transporta 100 toneladas por viagem, mas pode fazer fracionado, com cargas menores, desde que possa descarregar em um terminal e seguir por caminhão. Mas para ter essa continuidade, precisamos de um complexo intermodal maduro, em uma segunda etapa. A primeira urgência é estabelecer as linhas de transporte”, conclui.