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Indústria paulista deve encerrar ano com, no mínimo, 130 mil empregos a menos

Segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp, indústria já demitiu 88 mil de janeiro a novembro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1606293977A indústria de São Paulo fechou 36.500 postos de trabalho em novembro deste ano, na leitura com ajuste sazonal, e deve chegar ao final de 2014 com ao menos 130 mil empregos a menos. Os resultados são da Pesquisa de Nível de Emprego da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), divulgados nesta terça-feira (16/12).

O levantamento ainda apurou, pela primeira vez, que todos os 22 setores industriais sondados registraram demissões no estado. A indústria de produtos alimentícios foi que a mais demitiu em novembro, 17.579 funcionários.

“É a primeira vez que vejo um demonstrativo mensal em que todos os setores da indústria perderam empregos. Novembro surpreendeu pela queda”, afirma Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Francini estima que, com a perda de empregos esperada para o mês de dezembro, a indústria deve encerrar o ano com mais de 130 mil vagas a menos. “Falta apenas um mês [para o fim do ano], e tal mês é habitualmente de queda, podendo ser ao redor de 40 mil empregos.”

De janeiro a novembro de 2014, o setor manufatureiro já demitiu 88 mil funcionários.


Açúcar e álcool

De acordo com a pesquisa do Depecon, a indústria de açúcar e álcool foi responsável por mais de 15.600 das 36.500 demissões em novembro deste ano e já acumula um saldo negativo de 4.664 empregos.

Além de condições climáticas adversas que aceleraram a colheita da próxima safra, o setor também amarga uma das piores crises de sua história. Este ano, ao menos 60 usinas foram fechadas no Centro-Sul do país, principal região produtora, por conta da crise.

Na sondagem de novembro, o setor sucroalcooleiro registra, pela primeira vez na série histórica da pesquisa iniciada em 2006, uma queda na variação do acumulado de ano, da ordem de 4,5%.


Péssimas condições

Francini alerta que as condições para a indústria do país em 2015 se mostram “péssimas” e requerem um trabalho “fantasticamente grande” de recuperação desse setor que, segundo ele, “é fator essencial” para retomar o crescimento da economia do país.

Na avaliação do diretor, a quebra do setor manufatureiro, até mais intensa que o previsto pela federação, apresenta um prenúncio “da dificuldade que será de puxar a indústria para cima”.

“Eu diria que há muito tempo que a federação fala sobre a necessidade de medidas e urgentes para a indústria. Não é de agora que a indústria necessita de ações rápidas. Da visão de que o setor está indo mal nós estamos roucos de tanto falar. Talvez percamos a voz antes de sermos atendidos”, diz Francini.


Pesquisa

No acumulado de 12 meses, ou seja, novembro de 2014 versus o mesmo mês em 2013, o mercado de trabalho da indústria registra um déficit de 148 mil vagas.

Os resultados ao longo do ano, de acordo com a pesquisa do Depecon, mostram uma trajetória do emprego industrial rumo ao pior patamar desde o início da pesquisa, em 2006. A baixa performance do mercado de trabalho do setor deve superar ainda o fraco desempenho registrado em 2009, período dos reflexos mais fortes da crise financeira mundial na economia brasileira.

Todos os 22 setores da indústria paulista sondados pela pesquisa informaram demissões em novembro. O segmento de máquinas e equipamentos fechou três mil postos de trabalho, seguido pelo setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios, com 2.973.

De 36 regiões consultadas, 34 registraram baixa de empregos na indústria, uma ficou estável e uma informou contratações pouco representativas.

São Caetano do Sul foi a única região a registrar criações de vagas de trabalho, com uma variação positiva de 0,24%, influenciada por contratações de uma indústria de alimentos (0,26%).

A região de Jaú fechou novembro em queda de 10,9%, abatida por demissões nos segmentos de produtos alimentícios (-17,82%) e de Petróleo e Biocombustíveis (-38,14%). Sertãozinho também se destacou entre as quedas, com uma variação negativa de 6,31%, em meio ao fechamento de vagas na indústria de alimentos (-11,73%).

Franca também registrou queda, de 5,53%, influenciada por demissões nos setores de couro e calçados (-7,22%) e de produtos alimentícios (-5,6%).