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Indústria impulsiona novas tecnologias que reduzem custos e favorecem o Meio Ambiente

Cases da 7ª edição de Conservação e Reúso de Água apontam para inovação que gera benefício em cascata

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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Walter Lazzarini e Nelson Pereira dos Reis prestigiam os vencedores do VII Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água

A indústria brasileira vive um dos seus momentos mais críticos e sua competitividade é afetada por diversas adversidades, incluindo a concorrência desleal dos produtos importados. Mesmo assim, continua sendo um setor dinâmico da sociedade, gerador de emprego e de novas tecnologias.

A análise foi feita pelo diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, durante cerimônia realizada nesta quinta-feira (22), Dia da Água, que laureou os quatro vencedores da sétima edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água. No total, 19 empresas concorreram ao prêmio nas categorias micro/pequena e média/grande.

“Os empresários estão cientes das dificuldades que passam com exportação de empregos, altas taxas de juros, burocracia, deficiências logísticas, mas fazem um esforço legítimo para reduzir seus custos de produção”, afirmou Walter Lazzarini, presidente do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp.


Premiados

A Pirelli Pneus e a Metalsinter ganharam o 1º lugar nas categorias média/grande e micro/pequena, respectivamente.

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Representantes das quatro empresas ganhadoras comemoram ao lado do presidente do Cosema e dos diretores do DMA da Fiesp


Em segundo lugar, ficou a  Dedini S/A Indústria de Base (Piracicaba/SP), com o seu Projeto Água.

“Os recursos hídricos são finitos”, afirmou Antonio Aparecido Berto, gerente corporativo de serviços administrativos da Dedini, que frisou o pioneirismo do fundador do grupo, Mario Dedini, ao projetar, há 60 anos, uma usina com reaproveitamento de água de chuvas. A empresa aposta em uma matriz limpa, conta com energia eólica e solar, além de captar água da chuva e ter certificação ISO 14.001.

O projeto estabeleceu prioridades estratégicas: recuperação e preservação contínua dos recursos naturais hídricos da microbacia do ribeirão Guamium, reutilização dos recursos hídricos, inclusive em instalações e processo, e reflorestamento – ações aliadas à conscientização ambiental através de sua sala verde, voltada a cerca de 700 funcionários e as escolas do entorno.

Com laboratório próprio, avalia-se da qualidade e o monitoramento da água desde a nascente, segundo Berto, que sinalizou números positivos: reconstituição de 80 mil metros³ do ribeirão, com o plantio de 10 mil árvores vindas de viveiro próprio de mudas, com capacidade para 12 mil unidades anuais.

A Dedini utilizou volume menor de água captada: -29,5% ou 1.186 m³/mês de 2008 a 2011. Também se observou redução de 29,5%, no lançamento de efluente líquido e maior utilização de água de chuva (50m3/mês) e 99% de reúso.

O processo de fundição demanda quantidade significativa de água. Esta unidade possui capacidade produtiva de até 40 mil toneladas/ano, com forte atuação nos segmentos de açúcar e etanol, hidrogeração, mineração e veículos automotivos.

O Projeto de Reúso da Água da Usina São José da Estiva S/A – Açúcar e Álcool, da cidade deNovo Horizonte/SP, ficou em 3º lugar.

É significativa a quantidade de terra arrastada com a cana no momento de embarque no caminhão, representando 1% do peso total do veículo, o que pode significar até 112,8 toneladas de terra/dia que pode se acumular no sistema de limpeza da Usina.

O método tradicional seria a retirada da terra com água nas mesas alimentadoras, representando consumo de 3 a 5m² por tonelada de cana. Mas, desde a safra 2008/2009, a usina utiliza o sistema de limpeza da cana a seco, com ar por meio de ventiladores fixados na esteira, dispensando assim o uso de água. O ar lança a palha em outra esteira que segue para queima na caldeira a fim de produzir energia. A usina, por sua vez, produz sua própria energia elétrica, 42 megawatts/hora para uma planta que consome apenas 14.

“O nosso ganho é ambiental com a conscientização da necessária reutilização da água na indústria. Hoje, nós reciclamos 95% da água utilizada”, disse Roberto Silva, coordenador de gestão ambiental da usina. Entre projeto e mão de obra, foram investidos R$ 3 milhões e prazo de seis meses de execução.